Encontro entre Trump e Putin no Alasca reacende debate sobre nova ordem mundial
As imagens do bombardeiro B-2 sobrevoando Donald Trump e Vladimir Putin no Alasca rodaram o mundo como um dos pontos altos da reunião entre os presidentes dos Estados Unidos e da Rússia. Em geopolítica, nada é apenas protocolo: do moletom da antiga União Soviética usado pelo chanceler russo Serguei Lavrov ao aperto de mão firme de Trump, passando pela própria escolha do local — o Alasca, território vendido pela Rússia aos EUA em 1867 —, cada gesto foi carregado de simbolismo.
Mais do que discutir sanções ou a guerra na Ucrânia, os dois líderes deram sinais de buscar um novo arranjo de poder global, numa tentativa de reorganizar esferas de influência em um cenário em que a ordem internacional estabelecida após a Guerra Fria parece ruir.
O pano de fundo é evidente: a ascensão da China, a fragilidade da União Europeia, os BRICs se aproximando de Pequim e contestando o domínio do dólar. Tanto Washington quanto Moscou sabem que o protagonismo chinês ameaça o equilíbrio das últimas décadas. Ao se encontrarem em solo gelado, Trump e Putin enviaram uma mensagem clara: a construção de um eixo pragmático entre EUA e Rússia já não soa tão improvável quanto nos anos 1990.

Um paralelo histórico
Esse tipo de movimento não é inédito. Nos anos 1970, Henry Kissinger, então secretário de Estado americano, costurou a aproximação com a China, explorando a ruptura entre Pequim e Moscou. O gesto culminou na visita histórica de Richard Nixon em 1972 e no Comunicado de Xangai, que redesenhou a lógica da Guerra Fria.
Hoje, meio século depois, os analistas apontam para uma nova movimentação tectônica da geopolítica global. O aperto de mão entre Trump e Putin pode não ter o mesmo peso imediato do encontro entre Nixon e Mao, mas já projeta consequências para Pequim, Bruxelas e o Oriente Médio. Não por acaso, nesta semana, a União Europeia realizou uma reunião emergencial de chanceleres para discutir os reflexos do encontro no Alasca.
Reflexos para o Brasil
O debate sobre os impactos dessa reconfiguração global no Brasil chegará ao público no Fórum Caminhos da Liberdade, marcado para 11 de setembro, no Teatro Vibra, em São Paulo. O evento terá como destaque Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco dos Brics e um dos maiores especialistas brasileiros em geopolítica.
Normalmente restritos a gabinetes de governo ou conselhos de multinacionais, debates dessa envergadura estarão acessíveis ao público. A proposta é oferecer uma leitura qualificada sobre como o “novo mundo” que Trump e Putin sinalizam construir poderá afetar diretamente a economia e a política brasileiras.
