Número de mortos por chuvas e enchentes no Paquistão sobe para 344
O número de mortos em decorrência das chuvas torrenciais e enchentes que atingem o Paquistão subiu para 344 pessoas, segundo autoridades locais neste sábado (16). As tempestades são provocadas pela temporada de monções, comum no Sudeste Asiático, mas que neste ano apresentam intensidade acima da média, causando destruição em larga escala. Apenas nas últimas 48 horas, centenas de mortes foram registradas no país.
Mais de 2 mil soldados, além de equipes de resgate, atuam no norte paquistanês em busca de corpos soterrados e desaparecidos. As chuvas afetaram especialmente distritos da província montanhosa de Khyber-Pakhtunkhwa, na fronteira com o Afeganistão, considerada a mais atingida.
A maioria das vítimas foi arrastada por enchentes repentinas ou morreu com o desabamento de casas, choques elétricos e raios. Muhammad Khan, morador do distrito de Buner, onde 91 pessoas morreram, descreveu a destruição.

“Parece que toda a montanha desabou; a área está coberta de lama e pedras enormes.”
Segundo Saifullah Khan, professor de 32 anos, moradores seguem retirando corpos e realizando orações fúnebres. “Ainda não sabemos quem está vivo ou morto”, disse.
As autoridades locais declararam vários distritos como “zonas de desastre”, mobilizando reforços de resgate para alcançar comunidades em terrenos de difícil acesso.
Outras regiões afetadas
– Caxemira paquistanesa: 9 mortos;
– Caxemira indiana: pelo menos 60 mortos em um vilarejo no Himalaia e 80 desaparecidos;
– Gilgit-Baltistan: 5 mortos na região turística no extremo norte, popular entre alpinistas, mas agora desaconselhada pelas autoridades.
Na sexta-feira (15), um helicóptero de resgate caiu, matando cinco pessoas. De acordo com a Autoridade Nacional de Gestão de Desastres, mais da metade das vítimas fatais morreu em razão da má qualidade das estruturas.
Em julho, a província de Punjab — lar de quase metade da população do Paquistão — registrou um aumento de 73% no volume de chuvas em comparação ao ano anterior.
O Paquistão, quinto país mais populoso do mundo, está entre os mais vulneráveis aos efeitos da crise climática. Seus 255 milhões de habitantes já enfrentaram enchentes massivas, rompimentos de lagos glaciais e secas sem precedentes nos últimos anos, fenômenos que tendem a se agravar com o avanço do aquecimento global.
