Rubio acusa regime cubano de explorar médicos no programa Mais Médicos
Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (13) a revogação dos vistos de Mozart Júlio Tabosa Sales, secretário do Ministério da Saúde, e Alberto Kleiman, ex-funcionário do governo, além de ex-integrantes da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), sob acusação de “cumplicidade” com o programa Mais Médicos, parceria firmada com Cuba entre 2013 e 2018.
Segundo Washington, os dois teriam desempenhado “papel no planejamento e execução” da iniciativa, utilizando a Opas como intermediária para contratar médicos cubanos sem seguir os requisitos constitucionais brasileiros, driblando sanções norte-americanas contra Cuba e repassando valores ao regime cubano que deveriam ser destinados aos profissionais de saúde.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que dezenas de médicos relataram ter sido explorados por Havana durante o programa. A acusação aponta que os pagamentos eram feitos “conscientemente” ao governo cubano, que mantém as chamadas “missões internacionalistas” como uma das principais fontes de receita da ilha.

O Brasil voltou a ser alvo da atenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nos últimos meses, especialmente em razão do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), acusado de tentativa de golpe em 2022. Durante seu governo, Bolsonaro comparou o Mais Médicos à “escravidão” e, em novembro de 2018, Cuba decidiu retirar seus profissionais do país, pouco antes do início de sua gestão.
Reativado em 2023 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o programa mantém o objetivo de ampliar a assistência médica em áreas carentes, mas com prioridade para médicos brasileiros, segundo o governo federal.
COMUNICADO DE IMPRENSA
MARCO RUBIO, SECRETÁRIO DE ESTADO
Hoje, o Departamento de Estado tomou medidas visando revogar vistos e impor restrições de vistos a vários funcionários do governo brasileiro, ex-funcionários da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e seus familiares por sua cumplicidade com o esquema de exportação de mão de obra do regime cubano no programa Mais Médicos. Esses funcionários foram responsáveis pela cumplicidade com o esquema coercitivo de exportação de mão de obra do regime cubano ou se envolveram nisso, o que explora profissionais médicos cubanos por meio de trabalho forçado. Esse esquema enriquece o corrupto regime cubano e priva o povo cubano de cuidados médicos essenciais.
Como parte do programa Mais Médicos do Brasil, essas autoridades usaram a Opas como intermediária com a ditadura cubana a fim de implementar o programa sem seguir os requisitos constitucionais brasileiros, driblando as sanções americanas a Cuba e, deliberadamente, pagando ao regime cubano o que era devido aos profissionais de saúde cubanos. Dezenas de médicos cubanos que atuaram no programa relataram terem sido explorados pelo regime cubano como parte desse programa.
O Departamento revogou os vistos de Mozart Júlio Tabosa Sales e Alberto Kleiman, ambos que trabalharam no Ministério da Saúde do Brasil durante o programa Mais Médicos e desempenharam um papel no planejamento e na implementação do programa. Nossa medida envia uma mensagem inequívoca de que os Estados Unidos promovem a responsabilização daqueles que possibilitam o esquema de exportação de trabalho forçado do regime cubano.
