Morre Miguel Uribe, senador e pré-candidato à presidência da Colômbia, após dois meses internado por atentado
Miguel Uribe Turbay, senador colombiano e pré-candidato à presidência, faleceu nesta segunda-feira (11), após complicações causadas por um atentado a tiros sofrido em junho deste ano. A morte foi confirmada por sua esposa, María Claudia Tarazona.
Uribe, de 39 anos, foi baleado no dia 7 de junho enquanto realizava um comício no bairro Fontibón, em Bogotá, onde discursava em meio à crescente mobilização política rumo às eleições presidenciais marcadas para março de 2026. Durante o ataque, ele foi atingido por três disparos — dois na cabeça e um na perna esquerda.

O senador foi levado em estado crítico à Fundação Santa Fé, na capital colombiana, e permaneceu internado por mais de dois meses. Após um período de estabilidade, seu quadro se agravou no sábado anterior à sua morte, devido a uma nova hemorragia no sistema nervoso central. Ele passou por cirurgia de emergência e voltou a ser sedado, mas não resistiu.
Uribe era uma das principais figuras da oposição ao atual governo colombiano. Em 2022, foi o senador mais votado do país e vinha ganhando destaque como possível nome forte na disputa presidencial. Filiado ao partido de direita Centro Democrático, liderado pelo ex-presidente Álvaro Uribe Vélez (sem relação de parentesco), Miguel era neto de Julio César Turbay Ayala, presidente da Colômbia entre 1978 e 1982.
Além da carreira política, sua vida foi marcada por tragédias familiares. Miguel era filho da jornalista Diana Turbay, sequestrada e assassinada por narcotraficantes ligados ao Cartel de Medellín, comandado por Pablo Escobar, em 1991. O caso ganhou notoriedade internacional ao ser retratado no livro “Notícias de um Sequestro”, escrito por Gabriel García Márquez, ganhador do Nobel de Literatura.

O ataque aconteceu de forma repentina e violenta. Segundo o partido Centro Democrático, homens armados atiraram pelas costas do senador. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram Uribe caído, com o rosto ensanguentado, sendo socorrido por pessoas presentes no local. Além dele, outras duas pessoas ficaram feridas. Um adolescente de 15 anos foi apreendido com uma arma de fogo nas imediações e está sendo investigado pelas autoridades.
A Procuradoria-Geral da Colômbia abriu investigação imediata. O presidente Gustavo Petro ordenou que o caso fosse apurado com rigor.
Personalidades políticas lamentaram a morte. O ex-presidente Álvaro Uribe afirmou:
“O mal destrói tudo, mataram a esperança. Que a luta de Miguel seja uma luz que ilumine o caminho correto da Colômbia”.
A comoção também repercutiu internacionalmente. O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, expressou solidariedade e repúdio ao ato:
“O governo brasileiro condena firmemente o ataque contra o senador Miguel Uribe Turbay (…), e confia na plena apuração do caso”.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, também se manifestou:
“Os Estados Unidos condenam nos termos mais fortes possíveis a tentativa de assassinato do senador colombiano Miguel Uribe”.
Com sua morte, a Colômbia revive o trauma de uma história política marcada por violência. Em meio século, três candidatos à presidência foram mortos em atentados: Luis Carlos Galán (1989), Bernardo Jaramillo Ossa e Carlos Pizarro Leongómez (ambos em 1990), além de diversas tentativas contra Álvaro Uribe.
Miguel Uribe deixa esposa e um filho.
