Morre Arlindo Cruz, ícone do samba, aos 66 anos
O Brasil se despede, nesta sexta-feira (8), de um dos maiores nomes do samba contemporâneo. Arlindo Cruz, cantor, compositor e músico que marcou gerações com sua voz, composições e dedicação à cultura popular, faleceu aos 66 anos, confirmou a esposa Babi Cruz.
Nascido em 14 de setembro de 1958, Arlindo Domingos da Cruz Filho construiu carreira sólida a partir do trabalho com o grupo Fundo de Quintal, onde se destacou pelo domínio do banjo e pela inventividade como autor. Ao longo de décadas, assinou sucessos que viraram clássicos do gênero — entre eles “Coisinha do Pai”, “O Bem, Meu Lugar”, “O Show Tem Que Continuar” e “Bagaço da Laranja” — e compôs sambas-enredo para escolas como Império Serrano, Grande Rio, Vila Isabel e Leão de Nova Iguaçu. Reconhecido nacional e internacionalmente, recebeu quatro indicações ao Grammy Latino entre 2008 e 2016.
Figura respeitada por sua generosidade e pela ligação espiritual com o samba e o candomblé, Arlindo era visto como um elo entre o passado e o futuro do samba. Deixa a esposa Barbara (Babi Cruz), casada desde 2012, e os filhos Arlindinho e Flora Cruz. Arlindinho, também músico, tem mantido viva a obra do pai nos palcos.

Em março de 2017, Arlindo sofreu um acidente vascular cerebral hemorrágico que o afastou dos palcos e resultou em longo período de internação — cerca de um ano e três meses — e em sequelas que exigiram tratamentos contínuos de fonoaudiologia e fisioterapia. Após alta, voltou a ser hospitalizado em algumas ocasiões, com a última internação registrada em julho de 2025. Apesar das limitações impostas pelo AVC, seu legado artístico permaneceu presente na memória do público e entre colegas de música.
Em julho de 2025 foi lançado o livro “O Sambista Perfeito”, do jornalista Marcos Salles, obra de 462 páginas que reúne depoimentos de 120 amigos, artistas e familiares — entre eles Maria Bethânia, Zeca Pagodinho, Maria Rita e Regina Casé — além de falas do próprio Arlindo registradas antes do AVC, contribuindo para preservar sua história e impacto cultural.
A família ainda não divulgou data e detalhes do velório e do sepultamento. Amigos, admiradores e representantes da música brasileira já começam a prestar homenagens àquele que foi um dos pilares do samba nas últimas décadas.
