EUA propõem desarmamento do Hezbollah até o fim do ano em troca de retirada israelense do sul do Líbano
Os Estados Unidos apresentaram ao governo do Líbano um plano que prevê o desarmamento total do Hezbollah até 31 de dezembro de 2025, em troca do fim das operações militares de Israel no país e da retirada das tropas israelenses de cinco posições no sul do território libanês. A proposta, entregue pelo enviado especial americano Tom Barrack, contém os passos mais detalhados até agora para desarmar a milícia xiita apoiada pelo Irã, que rejeitou a iniciativa.
O ministro da Informação, Paul Morcos, afirmou que Beirute concorda com os objetivos e com a retirada israelense, mas não discutiu detalhes de implementação. Representantes do Hezbollah e do Movimento Amal abandonaram a reunião do gabinete desta quinta-feira (7) em protesto contra a discussão. Em comunicado, o grupo declarou que tratará a proposta “como se ela não existisse” e acusou o governo do premiê Nawaf Salam de cometer “um grande pecado” ao abrir mão de suas armas.

O plano americano prevê quatro fases:
1 – Em 15 dias: decreto do governo libanês comprometendo-se com o desarmamento até o fim de 2025; cessação das operações militares isaelenses.
2 – Em 60 dias: aprovação de um plano de implantação do exército para assumir todas as armas, início da retirada israelense e libertação de prisioneiros libaneses.
3 – Em 90 dias: retirada israelense dos dois últimos pontos ocupados, início da reabilitação de infraestrutura.
4 -Em 120 dias: desmantelamento de armas pesadas do Hezbollah, seguido de conferência internacional para apoiar a reconstrução e a economia libanesa.
O Hezbollah, considerado uma das forças militares não estatais mais poderosas do mundo, sofreu perdas significativas desde a ofensiva israelense de 2023, incluindo a morte do líder Hassan Nasrallah. Mesmo enfraquecido, mantém forte influência política, especialmente entre a população xiita. Analistas alertam que o plano pode reforçar o apoio ao grupo e gerar instabilidade interna.
O premiê Nawaf Salam reafirmou que “o Estado deve monopolizar a posse de armas” e o presidente Michel Aoun determinou que o Exército elabore um plano para colocar todo o arsenal pesado sob controle das Forças Armadas. Já o líder do Hezbollah, Naim Qassem, declarou que a organização “está forte e pronta para lutar pela soberania e independência do Líbano”.
