Bebê com cardiopatias congênitas recebe alta após 20 dias de internação e múltiplas paradas cardíacas em Vitória
Enrico Doriquetto, bebê de 1 ano e dois meses, recebeu alta hospitalar após passar por um período de 20 dias internado em um hospital particular de Vitória, no Espírito Santo, enfrentando várias paradas cardíacas, duas cirurgias e convulsões. A família, que reside em Cachoeiro de Itapemirim, comemorou o momento após um período de muita angústia, quando chegou a ser informada pelos médicos que a criança havia morrido.
Enrico nasceu com cardiopatias congênitas, incluindo Comunicação Interatrial e Comunicação Interventricular, malformações no coração que se desenvolvem ainda no útero e que exigem intervenção cirúrgica. Logo após o nascimento, a família já sabia que o menino precisaria passar por cirurgia até os dois anos de idade.
No dia 4 de julho, o bebê foi submetido a uma cirurgia em Vitória. Inicialmente, os médicos disseram que o procedimento tinha ocorrido conforme o esperado e que não seria necessário o uso de marcapasso, prevendo uma internação de cerca de uma semana apenas para acompanhamento. No entanto, dois dias depois, Enrico sofreu uma convulsão seguida de quatro paradas cardiorrespiratórias. Na última delas, precisou ser entubado.
Segundo a família, o bebê chegou a sofrer pelo menos 22 paradas cardíacas durante o período internado. No entanto, o cardiologista intervencionista Vinícius Fraga Mauro, do Instituto do Coração, explicou que esse número pode representar episódios em que o coração “vai e volta”, recuperando temporariamente o ritmo próprio antes de parar novamente. Para os médicos, esses eventos podem ser contabilizados como um único episódio prolongado, pois o coração do bebê ainda não está em condições de manter um bombeamento eficaz de sangue.
Na pediatria, uma queda dos batimentos cardíacos para menos de 60 por minuto em bebês é considerada equivalente a uma parada cardíaca em adultos.
A família comemorou a recuperação de Enrico e o retorno para casa no fim do mês. O pai, Evandro Doriquetto, disse: “Médicos não vão falar em milagre, mas eu falo. A história dele daria um filme. Agora, enfim, vamos respirar aliviados e poder dormir direito”.
A Unimed Vitória, responsável pelo hospital onde a criança esteve internada, afirmou que o paciente recebeu toda a assistência necessária, conforme protocolos médicos e diretrizes dos órgãos reguladores. Questionada sobre o caso e o relato de que o bebê teria sido dado como morto, a empresa preferiu se manifestar apenas por meio de nota, sem responder aos questionamentos específicos.
