Israel anuncia “pausa tática” em Gaza para permitir entrada de ajuda humanitária
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/Atualizado em: Por: Cleder Magalhães | Surgiu
Israel declarou neste domingo (27) uma “pausa tática” em partes da Faixa de Gaza, com o objetivo de permitir a entrada de ajuda humanitária. A medida, segundo o Exército israelense, busca facilitar a passagem de caminhões com alimentos e medicamentos para aliviar a fome generalizada no território palestino, devastado por mais de 21 meses de conflito.
O anúncio prevê interrupções diárias nos combates entre 10h e 20h (horário local) em áreas como Al Mawasi, Deir al Balah e partes da Cidade de Gaza, onde as tropas israelenses não operam. Também foram definidas rotas de acesso para caravanas da ONU e outras organizações humanitárias, entre 6h e 23h, para garantir a entrega segura de suprimentos essenciais.
No sábado (26), Israel já havia lançado sete lotes de ajuda aérea — contendo farinha, açúcar e conservas — sobre Gaza, em coordenação com agências internacionais e sob supervisão do Cogat, órgão do Ministério da Defesa israelense.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel atribuiu à ONU a responsabilidade por bloqueios anteriores e reiterou que a nova pausa visa facilitar o trabalho humanitário.
O diretor do Escritório da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, comemorou a medida, afirmando que a organização está pronta para alcançar “o maior número possível de pessoas famintas”.
Antes do anúncio de Israel, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e outros países já haviam informado que lançariam produtos essenciais do ar, além de resgatar crianças que necessitam de tratamento médico, em parceria com Jordânia e outras nações.
O diretor da UNRWA, Philippe Lazzarini, no entanto, criticou os lançamentos aéreos, dizendo que são caros, ineficazes e podem colocar civis em risco. Para ele, apenas o acesso terrestre contínuo pode evitar uma catástrofe maior.
Uma conferência de alto nível será realizada na sede da ONU, em Nova York, nesta segunda (28) e terça (29), para buscar uma saída diplomática. O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que o objetivo é criar “uma nova dinâmica” em favor de uma solução de dois Estados, considerada pela ONU e pela comunidade internacional como o único caminho viável para uma paz duradoura.
A guerra teve início em 7 de outubro de 2023, após um ataque do Hamas que matou 1.219 pessoas em Israel, a maioria civis. Em resposta, a ofensiva israelense em Gaza causou, até agora, 59.733 mortes, de acordo com o Ministério da Saúde do Hamas — número considerado confiável pela ONU. A maioria das vítimas também é de civis.