Investigação aponta que pilotos desligaram motor errado em voo da Jeju Air que deixou 179 mortos
Uma investigação sul-coreana sobre o acidente com o voo Jeju Air 2216 aponta que os pilotos desligaram o motor errado após uma colisão com aves, momentos antes do pouso. A tragédia, ocorrida em 29 de dezembro de 2024, deixou 179 mortos e é considerada o desastre aéreo mais mortal da história do país. Apenas dois ocupantes sobreviveram.
Segundo uma fonte com acesso à investigação ouvida pela agência Reuters, o motor esquerdo, que foi desligado durante a emergência, apresentava menos danos que o motor direito, este mais afetado pela colisão com aves. A conclusão tem como base dados da caixa preta, registros de computador e um interruptor do motor encontrado em meio aos destroços.
“A equipe de investigação tem evidências claras e dados de apoio, portanto, sua conclusão não mudará”, afirmou a fonte, que preferiu não se identificar por não haver ainda um relatório oficial.

As autoridades informaram familiares das vítimas durante coletiva de imprensa no último sábado (20), confirmando que a falha mais grave ocorreu no motor direito, que permaneceu ligado. A agência responsável pela apuração, o Conselho de Investigação de Acidentes de Aviação e Ferrovias da Coreia do Sul (ARAIB), ainda não se pronunciou oficialmente.
A Jeju Air declarou que colabora com as investigações e aguarda a divulgação do relatório final. A Boeing e a fabricante de motores CFM International não comentaram o caso.
Famílias contestam divulgação de relatório
O ARAIB cancelou a divulgação planejada de uma atualização do caso, após familiares das vítimas alegarem que o texto preliminar sugeria culpa dos pilotos sem considerar outros fatores contribuintes. Advogados das famílias afirmaram que o relatório parecia eximir a companhia aérea e o aeroporto de responsabilidades.
O sindicato dos pilotos da Jeju Air também criticou a investigação, acusando o órgão de transformar os pilotos em “bodes expiatórios”. Em nota, a entidade destacou que ainda não há comprovação técnica de que a aeronave poderia pousar com segurança usando apenas o motor menos danificado.
A queda ocorreu durante um pouso de emergência no Aeroporto de Muan. A aeronave, um Boeing 737-800 que vinha de Bangkok, ultrapassou a pista, colidiu com um muro e explodiu parcialmente.
Colisão com aves e falta de resposta do aeroporto estão entre pontos investigados
De acordo com o relatório preliminar divulgado em janeiro, restos de patos foram encontrados em ambos os motores. No entanto, a extensão dos danos só agora começa a ser detalhada.
Especialistas também questionam a presença de um aterro próximo à pista, o que pode ter contribuído para a gravidade do acidente. Representantes das famílias e o sindicato pedem mais rigor na apuração das condições da pista, infraestrutura aeroportuária e medidas de prevenção de fauna.
Pelas normas internacionais, o relatório final da investigação deve ser divulgado até o fim de 2025.
