Meta e Mark Zuckerberg fecham acordo bilionário para encerrar processo sobre violação de privacidade
O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, junto com outros executivos e conselheiros da empresa, fechou um acordo com acionistas da antiga Facebook para encerrar um processo bilionário que questionava a responsabilidade da companhia em violações de privacidade de usuários.
O caso foi movido em 2018, após o escândalo da Cambridge Analytica, que revelou a coleta indevida de dados de milhões de usuários por meio de aplicativos conectados à plataforma. A ação pedia indenizações de US$ 8 bilhões e poderia levar ao depoimento público de grandes nomes do Vale do Silício, incluindo Zuckerberg, a ex-diretora de operações Sheryl Sandberg e outros executivos renomados.
Segundo informações divulgadas durante audiência no Tribunal de Chancelaria de Delaware, nos Estados Unidos, o valor e os termos do acordo ainda não foram tornados públicos. Além dos principais líderes da Meta, o processo também envolvia figuras influentes como Peter Thiel, cofundador do PayPal, Marc Andreessen, da Andreessen Horowitz, e Reed Hastings, CEO da Netflix.
A ação judicial questionava o descumprimento, por parte da Meta, de um acordo firmado em 2012 com a Comissão Federal de Comércio (FTC) dos EUA, que exigia a implementação de um programa robusto de proteção à privacidade dos usuários. O escândalo da Cambridge Analytica expôs falhas nesse sistema, com o uso indevido de dados pessoais para influenciar eventos políticos como o Brexit e as eleições americanas de 2016.
Apesar de negar qualquer conduta ilegal, a empresa enfrentava crescente pressão judicial. Em janeiro, Sheryl Sandberg chegou a ser sancionada por supostamente apagar e-mails pessoais que poderiam ser relevantes para o julgamento, embora ela tenha afirmado que as mensagens estavam preservadas por outros destinatários.
O processo evidenciou falhas na governança corporativa da Meta e reacendeu o debate global sobre a proteção de dados em plataformas digitais. A empresa, que reúne Facebook, Instagram e WhatsApp, já foi multada em US$ 5 bilhões pela FTC em 2019 e continua enfrentando processos semelhantes, principalmente na Europa.
Com uma fortuna estimada em US$ 241 bilhões, Mark Zuckerberg é atualmente a terceira pessoa mais rica do mundo. Outros envolvidos, como Sandberg, Thiel, Andreessen e Hastings, também figuram entre os bilionários mais influentes do setor tecnológico.
O acordo, portanto, representa um passo importante para a Meta encerrar uma das batalhas judiciais mais complexas relacionadas à privacidade dos usuários, evitando a exposição pública dos executivos e dos detalhes sensíveis da ação.
