Uma mulher e a filha dela foram resgatadas de uma situação de cárcere privado no município de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (PR), após jogarem bilhetes com pedidos de socorro pela sacada do apartamento. O suspeito, identificado como Clauber Gandra Severino, de 39 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Militar.
De acordo com a investigação, mãe e filha ficaram trancadas em um quarto, amarradas com abraçadeiras plásticas, entre os dias 10 e 12 de julho. O agressor recolheu os celulares das vítimas para impedir qualquer tipo de contato com o exterior e ainda as forçou a entregar cartões bancários, senhas e assinar cheques, sendo um no valor de R$ 8 mil e outro de R$ 50 mil, que não foram localizados.
Durante a madrugada, enquanto o suspeito dormia, as vítimas conseguiram escrever bilhetes pedindo ajuda, que foram lançados pela sacada do apartamento. Um dos recados dizia:
“Por favor, nos ajude! Estamos em cárcere privado, eu e a minha mãe. Ajude-nos, pois não posso usar o celular! Avise a síndica! Que a polícia venha e entre pela sacada, sem alarde!”
Um dos papéis foi encontrado por um vizinho, que avisou a síndica do prédio e acionou a Polícia Militar. Ao chegarem ao local, os policiais encontraram a porta do apartamento destrancada. Segundo uma moradora, Clauber havia deixado a porta aberta. Durante a abordagem, o suspeito tentou fugir pulando para a sacada do apartamento vizinho, mas foi contido com a ajuda de um morador que é policial militar.
No local, foram apreendidos R$ 2,7 mil em dinheiro, abraçadeiras plásticas, fitas adesivas, ferramentas e o celular de uma das vítimas. Mãe e filha foram libertadas sem ferimentos e passam bem.
Clauber Gandra é conhecido da família e já havia morado no mesmo prédio em 2023. Por isso, ainda possuía uma tag de acesso eletrônico, o que lhe permitiu entrar no condomínio sem levantar suspeitas. Segundo a polícia, ele entrou no apartamento aproveitando que uma das vítimas havia saído rapidamente para a farmácia e deixou a porta destrancada.
O delegado Gustavo de Pinho, responsável pelo caso, afirmou que a motivação do crime foi financeira. Em depoimento, Clauber admitiu estar desesperado com problemas pessoais:
“Eu perdi o emprego, meu apartamento foi para leilão. Sei que nada disso justifica o ato. A vida da gente toma uns rumos… sinceramente, como vou pedir perdão pra ti, não vai adiantar”, disse o suspeito à polícia.
Uma vizinha, que preferiu não se identificar, contou que, ao visitar as vítimas após o resgate, foi informada de que elas mantinham a máquina de lavar roupas ligada o tempo todo para tentar chamar atenção com o barulho.
Na quarta-feira (16), Clauber foi transferido da cadeia pública de Curitiba para outra unidade do Departamento de Polícia Penal do Paraná (Deppen), onde prestou novo depoimento. A expectativa é que o inquérito seja concluído até sexta-feira (18), com o indiciamento dele por cárcere privado e roubo agravado.
A Polícia Civil segue investigando o caso e não descarta a participação de outras pessoas. O celular do suspeito passará por perícia.