Médico é denunciado por homicídio culposo após morte de influenciador durante sedação para tatuagem em SC
O médico anestesista responsável pela sedação do influenciador Ricardo Godoi, de 46 anos, foi denunciado por homicídio culposo — quando não há intenção de matar — pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Ricardo morreu em 20 de janeiro deste ano, após sofrer uma parada cardiorrespiratória no início do processo anestésico, antes mesmo de iniciar uma tatuagem nas costas, em Itapema, no litoral catarinense.
De acordo com o Ministério Público, o médico de 34 anos agiu com negligência ao não realizar avaliação prévia do paciente nem solicitar exames obrigatórios recomendados para pessoas com histórico de hipertensão e idade superior a 40 anos, como eletrocardiograma e radiografia de tórax. A denúncia foi confirmada nesta terça-feira (8) e será encaminhada à Justiça, que decidirá se aceita ou não a ação penal.
O profissional conheceu Ricardo apenas no dia do procedimento, o que, segundo o MP, fere normas técnicas do Conselho Regional de Medicina. Em maio, o médico foi indiciado pela Polícia Civil. Antes da denúncia formal, o MPSC ofereceu um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), que foi recusado por ele.
Conforme laudo pericial, a causa da morte foi uma parada cardiorrespiratória. O documento também apontou que o influenciador apresentava hipertrofia cardíaca, uma condição caracterizada pelo crescimento anormal do músculo do coração. O uso de anabolizantes foi citado na declaração de óbito como um fator que pode ter contribuído para o quadro. A família, no entanto, informou às autoridades que ele havia interrompido o uso dessas substâncias há cerca de cinco meses e que havia feito exames que indicavam estar apto para o procedimento.
O procedimento seria realizado dentro de uma sala cirúrgica equipada, contratada por um estúdio de tatuagem. Em nota, o hospital onde ocorreu a sedação afirmou que apenas cedeu a estrutura física e os equipamentos, sem envolvimento da equipe clínica nos atendimentos.
O estúdio de tatuagem declarou que contratou uma equipe médica especializada e solicitou exames de sangue prévios, além de obter termo de consentimento assinado por Ricardo. Ainda segundo o estúdio, a parada cardiorrespiratória ocorreu nos primeiros momentos da sedação e intubação, antes do início da tatuagem. Um cardiologista foi chamado para realizar manobras de reanimação, mas o influenciador não resistiu.
O caso segue sob avaliação do Ministério Público, que agora aguarda a decisão da Justiça sobre a aceitação ou não da denúncia criminal. A pena prevista para homicídio culposo, em casos como este, pode chegar a três anos de prisão, com possibilidade de aumento dependendo de agravantes.
