Presidente da África do Sul critica ameaça de Trump ao Brics: “Não se pode punir quem busca cooperação”
O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, reagiu com preocupação nesta segunda-feira (7) às ameaças feitas por Donald Trump contra os países membros do Brics. Durante entrevista à emissora pública SABC, direto do Rio de Janeiro, onde participa da cúpula do bloco, Ramaphosa classificou como “decepcionante” o tom adotado pelos Estados Unidos ao tratar da aliança entre nações emergentes.
A crítica veio após Trump afirmar, no domingo (6), que irá impor uma tarifa adicional de 10% a todos os países que se alinhem politicamente ao Brics, sem exceções. A declaração foi publicada na plataforma Truth Social e repercutiu internacionalmente.
“É decepcionante que, após uma iniciativa coletiva tão positiva como a do Brics, alguns possam enxergar o bloco de forma negativa e ainda desejem punir aqueles que dele participam”, afirmou o líder sul-africano.

Formado atualmente por 11 países — entre eles Brasil, Rússia, Índia, China e a própria África do Sul — o Brics tem se consolidado como uma força alternativa na política e na economia global. Ramaphosa reiterou que o bloco não busca confronto com nenhuma potência, mas sim promover o diálogo e os interesses do chamado “Sul global”.
“Não deve haver retaliação contra países que buscam a cooperação mútua e o bem da humanidade”, declarou. Como resposta à ameaça tarifária, o presidente sul-africano informou que seu governo propôs um acordo comercial com os Estados Unidos para evitar a escalada de tensões. “A lei do mais forte não pode ser a regra em um mundo que precisa de equilíbrio e justiça”, concluiu.
