Jovem skatista de 15 anos é executado por criminosos em Fortaleza após ser acusado de integrar grupo rival
O adolescente Marco Felipe Mendes de Sousa, conhecido como “Felipe Maracajá”, de 15 anos, foi brutalmente assassinado a tiros na segunda-feira (30), no bairro Vicente Pizón, em Fortaleza (CE). Skatista e estudante, ele foi rendido por criminosos que tomaram seu celular e, após acessarem o aparelho, o acusaram de fazer parte de um grupo de WhatsApp ligado a uma facção rival. A suspeita, segundo a Polícia Civil, motivou a execução do jovem, que foi perseguido e morto em um beco da comunidade.
Câmeras e vídeos que circulam nas redes sociais registraram o momento em que Felipe foi abordado e teve o celular tomado. A cena causou comoção nacional e levou à prisão de um homem de 24 anos, apontado como um dos envolvidos no crime. Ele foi encaminhado ao 1º Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), que conduz a investigação.
O pai do adolescente, Marcos Henrique, negou qualquer envolvimento do filho com atividades criminosas. Ele afirmou que Felipe era um jovem dedicado aos estudos e ao skate, esporte pelo qual era apaixonado. O garoto chegou a participar de campeonatos fora do estado, acumulando conquistas nas pistas.
A Federação Piauiense de Skateboard, por onde o adolescente já havia competido, divulgou uma nota de pesar e repúdio à violência que vitimou o jovem. “Hoje, Felipe se soma às estatísticas cruéis de um país que falha com sua juventude. Em menos de seis meses, é o segundo jovem skatista assassinado no Ceará. […] O skate salva. O skate transforma. Mas não basta”, afirma o texto, que também denuncia a vulnerabilidade dos jovens nas periferias.
Segundo a nota, o episódio expõe a realidade vivida por muitos adolescentes em comunidades dominadas por facções, onde o simples ato de morar em determinada área pode representar risco de vida. A ausência do Estado e a constante ameaça da violência colocam em xeque a segurança e o futuro de jovens como Felipe.
O crime reacende o debate sobre o abandono das juventudes periféricas e a necessidade urgente de políticas públicas de proteção, acesso à cultura, esporte e oportunidades. Enquanto isso, a investigação segue em andamento para identificar e responsabilizar todos os envolvidos na execução do adolescente.
