Irã suspende cooperação com AIEA após bombardeios dos EUA e recusa inspeções em instalações nucleares
O Irã anunciou, nesta quinta-feira (26), a suspensão temporária de sua colaboração com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e negou acesso de inspetores às instalações nucleares de Fordow, Natanz e Isfahan — locais bombardeados recentemente pelos Estados Unidos. A decisão foi comunicada pela Embaixada do Irã em Brasília e está respaldada por uma resolução aprovada pelo Parlamento e ratificada pelo Conselho de Guardiões do país.
Segundo o embaixador iraniano no Brasil, Abdollah Nekounam, a suspensão ocorre em resposta direta aos ataques que danificaram centros de enriquecimento de urânio e colocaram em risco a segurança de cientistas nucleares. A medida desafia as obrigações do Irã no âmbito do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP).
O clima de tensão aumentou após os bombardeios realizados no dia 21, quando os EUA utilizaram 14 bombas “bunker-buster” contra as instalações subterrâneas iranianas. Washington afirma que causou danos severos, enquanto Teerã minimiza o impacto. No entanto, a AIEA relatou que as centrífugas de Fordow “não estão mais operacionais” e que as estruturas em Isfahan e Natanz também foram atingidas.

O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, voltou a solicitar acesso às áreas danificadas, mas enfrentou fortes críticas do chanceler iraniano, Abbas Araghchi. O ministro acusou Grossi de parcialidade e de facilitar, com seu posicionamento, a adoção de resoluções politicamente motivadas contra o Irã, além de ignorar os riscos e violações de soberania representados pelos ataques.
O Irã afirma que continuará seu programa nuclear, reiterando que o enriquecimento de urânio é para fins pacíficos. A taxa de enriquecimento, que atualmente atinge 60%, permanece sob questionamento internacional, já que se aproxima do nível necessário para armamento nuclear.
Com a suspensão da cooperação, a ONU enfrenta novos desafios para garantir a transparência e a fiscalização das atividades nucleares iranianas em um contexto geopolítico cada vez mais tenso.
