Após ser preso por Israel, ativista brasileiro anuncia nova missão de ajuda humanitária a Gaza
Integrante da Flotilha da Liberdade, grupo que tentou furar o bloqueio israelense à Faixa de Gaza com ajuda humanitária, o ativista brasileiro Thiago Ávila confirmou que uma nova missão está sendo organizada. A informação foi divulgada em entrevista exclusiva à Agência Brasil, após seu retorno ao país, na última sexta-feira (13), depois de ser detido por forças israelenses.
“Vamos continuar tentando romper o cerco ilegal de Israel sobre Gaza, levar alimentos, medicamentos e abrir um corredor humanitário dos povos. Já temos um novo barco, chamado Handala, quase pronto para partir”, afirmou Thiago, que também relatou abusos cometidos pelas autoridades israelenses contra os ativistas.

Nova missão maior e mais organizada
De acordo com Thiago, o grupo pretende ampliar a operação, reunindo novos barcos e participantes. “Queremos que seja sempre assim: se Israel atacar uma missão, a próxima será maior. Que eles entendam que a violência não vai nos deter”, declarou.
A embarcação anterior foi interceptada em 9 de junho, em águas internacionais. Segundo Thiago, os 12 ativistas a bordo foram mantidos sob custódia por mais de 20 horas dentro do próprio navio, sob forte vigilância armada. “Tudo o que queríamos era sobreviver naquele momento”, contou.
Relatos de maus-tratos e violações
O ativista brasileiro relatou condições degradantes durante o período em que esteve preso em Israel. Ele afirma ter sido mantido em um ambiente insalubre, com ratos e baratas, água imprópria para consumo e transporte em veículos escuros e sem ventilação. “As pessoas estavam amontoadas, sem acesso a banheiro. Uma delas urinou dentro do veículo. Foi um processo degradante, com ameaças e violência psicológica”, relatou.
Thiago ainda fez greve de fome em protesto contra a prisão, que classificou como sequestro. Como represália, foi colocado em cela solitária e ameaçado de não ser libertado caso não encerrasse a manifestação.
Denúncia de violações sistemáticas
Segundo a organização Euro-Med Monitor, com sede na Suíça, as condições em que palestinos são mantidos nas prisões israelenses representam uma violação grave das normas do direito internacional. “Essa política faz parte do crime de genocídio de Israel, que busca destruir parcial ou totalmente o povo palestino”, disse a entidade em nota.
O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) tratou a prisão de Thiago como crime de guerra e solicitou ao governo brasileiro a suspensão das relações diplomáticas e comerciais com Tel Aviv. O Itamaraty também se pronunciou, apontando violação ao direito internacional e pedindo a libertação imediata do ativista.
Morte de jovem brasileiro-palestino sob custódia israelense
O caso de Thiago ganha ainda mais destaque após a morte de Walid Khaled Abdallah, jovem brasileiro-palestino de 17 anos, ocorrida em março em uma prisão israelense. Segundo a Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), ele faleceu devido à desidratação e fome prolongadas, sem receber atendimento médico. A prisão onde estava é denunciada por uso sistemático de tortura, incluindo choques elétricos e espancamentos.
