Morre Bira Presidente, fundador do Fundo de Quintal, aos 88 anos
O samba perdeu neste sábado (14) um de seus grandes nomes. Ubirajara Félix do Nascimento, conhecido como Bira Presidente, faleceu aos 88 anos, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. A notícia foi confirmada por meio de uma nota nas redes sociais do artista. Ele enfrentava um câncer de próstata.
Figura central na história do samba carioca, Bira foi um dos fundadores do tradicional bloco Cacique de Ramos, criado em 1961 no subúrbio da cidade. Ao longo das décadas, o Cacique se tornou um dos maiores celeiros do samba brasileiro. Como presidente do bloco, Bira ajudou a transformá-lo em um símbolo de resistência e renovação cultural.

No fim da década de 1970, Bira também esteve na gênese de um dos grupos mais importantes do gênero: o Fundo de Quintal. Em uma apresentação marcante no Teatro Opinião, ao lado de nomes como Ubirany, Sereno, Almir Guineto, Jorge Aragão, Sombrinha e Neoci, nasceu o espetáculo “Samba é no Fundo de Quintal” — que daria origem ao primeiro disco do grupo, em 1980. A partir dali, o Fundo de Quintal se firmaria como uma referência e influenciaria gerações de sambistas, revelando talentos como Arlindo Cruz.
Nascido em 23 de março de 1937, no Rio de Janeiro, Bira era o mais velho de quatro irmãos. Filho de um serralheiro e de uma mãe de santo, ele cresceu rodeado pela musicalidade do samba. Desde a infância acompanhava o pai nas rodas e, aos sete anos, foi batizado na Estação Primeira de Mangueira, convivendo desde cedo com ícones como Donga, Pixinguinha, João da Baiana, Carlos Cachaça e Aniceto do Império.
Na juventude, fundou o bloco “Os Homens da Caverna”, que mais tarde se uniria a outros grupos e daria origem ao Cacique de Ramos. A instituição cresceu sob sua liderança e se tornou um verdadeiro “Doce Refúgio”, como ficou conhecido o reduto dos sambistas.
Bira deixa duas filhas, Karla Marcelly e Christian Kelly, dois netos, Yan e Brian, e uma bisneta, Lua.
Em nota oficial, o Cacique de Ramos destacou: “Sua atuação moldou o bloco e o samba. O Doce Refúgio se tornou um espaço de referência cultural. No Fundo de Quintal, ele foi o ponto de partida de uma linguagem que redefiniu a roda de samba e inspirou gerações”.
Até o momento, a família não divulgou informações sobre o velório e o sepultamento.
