Casa octogonal sobre rocha no Ceará atrai viajantes em busca de natureza e tranquilidade
No município de Chaval, no Ceará, uma construção inusitada tem chamado a atenção de viajantes: a casa octogonal do técnico em construção civil Ricardo Sérgio, erguida sobre a Pedra da Baliza, uma rocha a cerca de 104 metros de altitude que oferece uma vista panorâmica entre a Serra da Ibiapaba, as planícies do sertão e as dunas de Barroquinha.
Localizada na zona rural, a cerca de 18 quilômetros da sede do município, a casa é acessível por trilhas e possui dois pisos com varanda ao redor. No primeiro andar está a sala, e no segundo a suíte; a cozinha fica na varanda do piso inferior. A ventilação natural e a vista de 360 graus encantam quem visita o local.
Ricardo, que trabalhou anos no Piauí e voltou para reaver a propriedade da família, construiu a residência aos poucos durante seis anos, atuando como pedreiro, carpinteiro e ferreiro na obra. Atualmente, ele cuida da casa e mantém a rotina simples, criando peixes e galinhas, e vivendo em harmonia com o ambiente.
Apesar da procura crescente de turistas e aventureiros, Ricardo mantém regras claras para as visitas: elas devem acontecer apenas no período da tarde e não incluem hospedagem regular, bebidas ou comércio no local. O técnico em construção civil prefere preservar a tranquilidade do espaço, oferecendo apenas café e lanches caseiros aos visitantes.
Entre os turistas que passaram por lá recentemente estão Ellen Lima e Thiago Pessoa, que viajaram de motorhome pelo Brasil e fizeram uma parada para conhecer a casa. Eles destacam a experiência única e a hospitalidade de Ricardo, que inclusive os recebeu para passar a noite, proporcionando um contato direto com a natureza e a cultura local.
A Pedra da Baliza, que batiza o local, era usada historicamente como ponto de referência por caçadores e vaqueiros da região, dada sua posição de destaque no terreno.
O maior desafio atual do proprietário é garantir o abastecimento de água durante o ano, já que o poço profundo na propriedade mantém água somente na estação chuvosa. Sem renda fixa e apoio público, ele depende de doações para continuar a obra e mantém o sonho de um patrocínio para ampliar a infraestrutura.
Para Ricardo, o principal valor do local é a paz e o sossego. Ele quer compartilhar essa experiência com visitantes, mas sem transformar o espaço em uma atração comercial ou turística que comprometa o ambiente e a simplicidade que tanto preza.
