Quem foram Bagheri e Salami, comandantes iranianos mortos em ofensiva de Israel
O general Mohammad Bagheri, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, foi uma das principais vítimas do bombardeio realizado por Israel na madrugada desta sexta-feira (13), no horário local. O ataque aéreo atingiu alvos estratégicos, incluindo instalações nucleares e residências de altos comandantes iranianos, como Hossein Salami, líder da Guarda Revolucionária Islâmica.
A ofensiva israelense, que bombardeou dezenas de locais no território iraniano, tem como objetivo frear o avanço do programa nuclear do país, segundo as Forças de Defesa de Israel. O governo iraniano classificou o ataque como uma “declaração de guerra” e cobrou resposta urgente da Organização das Nações Unidas (ONU), por meio de uma carta oficial assinada pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi.

Quem era Mohammad Bagheri?
À frente do Estado-Maior desde 2016, Bagheri era uma figura central no comando militar do Irã. Membro da Guarda Revolucionária desde 1980, ele tinha influência direta nas estratégias militares do país, incluindo o programa de mísseis balísticos e o apoio a aliados como a Síria e a Rússia, no contexto da guerra na Ucrânia.
Reconhecido por sua atuação de longa data, Bagheri foi alvo de sanções por parte de países ocidentais, incluindo os Estados Unidos, que o classificaram como um dos responsáveis por “oprimir o povo iraniano, exportar terrorismo e promover políticas desestabilizadoras”.
Quem era Hossein Salami?
Outra figura central atingida no ataque foi Hossein Salami, comandante da Guarda Revolucionária. Veterano da guerra Irã-Iraque, Salami tinha voz ativa no programa nuclear iraniano desde os anos 1990. Em 2006, foi incluído em uma lista de sanções da ONU devido à sua atuação no desenvolvimento de mísseis.
Publicamente, Salami já defendeu o fim do “regime sionista”, termo usado por autoridades iranianas para se referir a Israel, e era considerado uma das figuras mais influentes do setor militar no país.
O que se sabe sobre o ataque
O ataque israelense ocorre em meio a um cenário de tensão crescente entre os dois países. Segundo autoridades israelenses, o Irã está em estágio avançado no enriquecimento de urânio e poderia produzir ogivas nucleares em poucos dias. Israel considera o programa nuclear iraniano uma ameaça direta à sua existência.
Em pronunciamento gravado, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que o país vive “um momento decisivo” e garantiu que os ataques continuarão “pelo tempo necessário” para conter a ameaça.
Em resposta, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, prometeu que Israel pagará “um preço amargo”. O governo iraniano também ameaçou retaliar os Estados Unidos, embora o governo americano tenha negado qualquer envolvimento direto na operação.
Segundo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, Israel atuou de forma unilateral e Washington foi apenas informado da operação. O presidente Donald Trump voltou a pressionar Teerã por um novo acordo nuclear, dizendo que o Irã “precisa negociar antes que seja tarde demais”.
