Defesa de Bruno Henrique contesta fiança de R$ 2 milhões pedida pelo MP em caso de manipulação de apostas
A defesa do atacante Bruno Henrique, do Flamengo, apresentou um pedido para que a Justiça rejeite o valor de R$ 2 milhões estabelecido como fiança pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). O pedido foi feito no âmbito da denúncia apresentada contra o jogador e outras oito pessoas, acusadas de envolvimento em um esquema de manipulação de resultados esportivos.
Na denúncia, além da fiança, o MPDFT também solicitou o pagamento de R$ 2 milhões em indenização coletiva, alegando que as condutas dos investigados feriram a integridade e a ética do esporte, além de causarem danos ao consumidor e ao prestígio do futebol brasileiro.
Segundo o Ministério Público, a fiança serviria como medida cautelar para garantir que os acusados não interfiram no andamento do processo. Apesar de poder ter solicitado a prisão preventiva do jogador, os promotores consideraram que a fiança seria suficiente neste momento.

Argumento da defesa
A equipe jurídica de Bruno Henrique argumenta que, por ter vínculo formal com o Flamengo e agenda pública de compromissos esportivos, não há risco de o jogador descumprir obrigações legais durante o processo.
— O calendário de partidas, nacionais e internacionais, é divulgado com antecedência, o que permite o acompanhamento em tempo real do paradeiro do clube e, consequentemente, do jogador, aponta o texto da defesa.
O juiz Fernando Brandini Barbagalo, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), ainda não se pronunciou sobre a aceitação da denúncia nem sobre o pedido da defesa.
Entenda o caso
Na última quarta-feira (5), Bruno Henrique, seu irmão Wander Nunes Pinto Júnior e mais sete pessoas foram formalmente denunciados pelo MPDFT por fraude esportiva e estelionato.
A investigação indica que, em partida contra o Santos, válida pelo Campeonato Brasileiro de 2023, Bruno Henrique teria provocado intencionalmente um cartão amarelo. Segundo o MP, ele teria informado o irmão previamente sobre a infração. Com a informação privilegiada, apostas foram feitas em diversas plataformas prevendo a advertência.
Além disso, os promotores afirmam que há indícios de envolvimento do jogador com um esquema paralelo de apostas em corridas de cavalos. Conversas obtidas pelo MP mostram Bruno Henrique pedindo ao irmão uma transferência bancária de R$ 10 mil para outra pessoa, supostamente ligada ao esquema.
O Flamengo, até o momento, preferiu não comentar o caso. Já a defesa do jogador classificou a denúncia como “oportunista e sem fundamento”.
Confira a nota da defesa de Bruno Henrique:
A denúncia oferecida pelo MPDFT, além de inteiramente insubsistente, é manifestamente aproveitadora, dado o contexto em que oferecida, coincidentemente na mesma data em que divulgada a lista de jogadores inscritos para o Super Mundial de Clubes da FIFA, na qual consta o Sr. Bruno Henrique.
Embora a medida do órgão ministerial seja oportunista, a sua defesa esclarece que as indevidas acusações formuladas serão técnica e imediatamente refutadas no processo.
Felipe Carvalho
