Explosão em posto de GNV no RJ deixa dois mortos e reacende alerta sobre segurança no uso do gás
Uma explosão em um posto de combustíveis no Rio de Janeiro, no último sábado (7), resultou na morte de duas pessoas enquanto um veículo era abastecido com Gás Natural Veicular (GNV). O acidente trouxe novamente à tona os riscos e cuidados necessários no uso desse tipo de combustível.
Segundo especialistas o GNV seja seguro quando instalado e mantido corretamente, sua alta volatilidade exige atenção redobrada. Por ser um gás em estado natural de vapor, qualquer vazamento pode gerar explosões rapidamente, diferentemente dos combustíveis líquidos, como gasolina e etanol, que precisam se vaporizar antes de entrarem em combustão.
De acordo com o mecânico Rui Camargo Barroso, grande parte dos acidentes ocorre devido à negligência dos usuários, seja pela instalação irregular do sistema de GNV em oficinas clandestinas, falta de inspeções periódicas exigidas pelo Inmetro, ou uso de cilindros danificados e não certificados. Marcos Barradas, coordenador do Inmetro, reforça que o uso de equipamentos não homologados é um dos maiores perigos.
O proprietário de oficina Adriano Daré, que já acompanhou mais de 30 mil conversões, afirma que acidentes com equipamentos certificados são extremamente raros e, geralmente, os casos de explosão estão ligados a práticas ilegais, como reuso de cilindros condenados, soldas não autorizadas e componentes de baixa qualidade. Daré chegou a relatar um caso extremo no Paraná, onde um cilindro adulterado com drogas explodiu durante o abastecimento.
Para garantir a segurança, todos os componentes do sistema de GNV — cilindros, válvulas, tubulações e conexões — devem ser instalados em oficinas homologadas pelo Inmetro. Além disso, os cilindros precisam passar por requalificação a cada cinco anos ou sempre que houver suspeita de danos estruturais. Esses testes incluem inspeções com ultrassom para verificar a integridade do aço.
Apesar do acidente no Rio de Janeiro, o GNV continua sendo utilizado em todo o Brasil. Em 2025, há mais de 2,6 milhões de veículos com o sistema instalado e cerca de 1.850 postos comercializando o gás, segundo a Abegás. O estado do Rio de Janeiro lidera com mais de 700 mil veículos adaptados.
O presidente do Inmetro, Márcio André Brito, reforça: “A inspeção anual e o reteste dos cilindros não são burocracia — são medidas essenciais de segurança.”
