Pai de santo morto em incêndio no RS escapou de tragédia da TAM em 2007 ao trocar passagem de última hora
Morreu na madrugada desta quarta-feira (4), em Porto Alegre, o pai de santo Paulo Fernando Rosa, conhecido como Pai Paulinho do Xoroquê, aos 57 anos. Ele foi vítima de um incêndio no imóvel onde realizava atendimentos religiosos, localizado na Zona Norte da capital gaúcha.
Pai Paulinho ficou conhecido nacionalmente por escapar, em 2007, do maior desastre da aviação brasileira, ao trocar de última hora sua passagem para o voo da TAM JJ3054. Na época, ele foi entrevistado pela RBS TV no aeroporto.
“Era para eu ir naquele voo, mas levantei com a sensação de que deveria trocar a passagem. Meu santo é forte”, declarou na ocasião.

Naquele dia, 17 de julho de 2007, o Airbus A320-233 não conseguiu frear ao pousar no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, colidindo contra um prédio da companhia aérea. A tragédia resultou em 199 mortes, sendo 98 vítimas naturais ou residentes no Rio Grande do Sul.
O incêndio que vitimou Pai Paulinho destruiu o espaço religioso em que ele atuava há mais de duas décadas. Três pessoas conseguiram escapar, uma delas com ferimentos no rosto. Cadeirante desde que sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC), ele não conseguiu sair a tempo. As causas do incêndio ainda são investigadas pela polícia e pelo Corpo de Bombeiros.
Referência nas religiões de matriz africana
Pai Paulinho do Xoroquê era uma das lideranças mais respeitadas do candomblé, umbanda e quimbanda no estado. Foi uma figura central na defesa dos direitos das religiões de matriz africana, especialmente no debate sobre o sacrifício de animais em rituais, tema que culminou com a aprovação de uma lei estadual em 2004 que garante a liberdade religiosa nesse aspecto.
Everton Alfonsin, presidente da Federação Afro-Umbandista Espiritualista do RS (FAUERS), destacou o legado do pai de santo. “Ele era uma referência espiritual, cultural e de resistência para todo o povo de axé no Rio Grande do Sul.”
