Influencer com vitiligo universal relata desafios na identificação racial: “A pele mudou, mas minha origem não”
A influencer Barbarhat Sueyassu, de 29 anos, tem conquistado espaço nas redes sociais ao compartilhar sua experiência com o vitiligo universal — condição rara que causa despigmentação quase total da pele. Diagnosticada ainda na infância, Barbarhat enfrentou desafios ligados à autoestima e à identidade racial, mas transformou sua vivência em inspiração para milhares de seguidores.
O vitiligo universal provoca a perda quase completa da melanina e resulta em um tom de pele extremamente claro. A condição ganhou notoriedade global com o cantor Michael Jackson, embora, à época, boatos e desinformação tenham cercado seu caso. No Brasil, Barbarhat se destaca como uma das vozes que desmistificam a patologia e promovem o movimento skin positivity.

Identidade racial e aceitação
Apesar de sempre encarar o vitiligo com naturalidade, Barbarhat revelou que, na juventude, teve dificuldades para entender onde se encaixava racialmente. Nascida em Apucarana (PR) e atualmente morando em São Paulo, ela vem de uma família miscigenada: mãe parda e pai descendente de orientais e brancos.
“Eu nunca me vi como uma pessoa branca. Mas também não sabia como o vitiligo se encaixava nisso. Quando perguntavam minha raça, eu dizia: ‘outra’”, conta. Durante muito tempo, a influencer chegou a acreditar que se identificar como parda seria uma “fraude”.
Essa confusão, segundo ela, reflete as mudanças e ambiguidades na classificação racial no Brasil ao longo das décadas. Após estudar o tema e refletir sobre sua ancestralidade, Barbarhat afirma com convicção: “Eu não posso apagar minha origem por causa de uma condição autoimune que não muda meu genótipo. A pele pode mudar, mas a identidade racial permanece.”
Ela ressalta que o vitiligo não transforma a raça de ninguém. “A pessoa que nasceu preta continua sendo preta mesmo com vitiligo universal. O despigmentação é da pele, não da identidade”, explica.
Representatividade e ativismo
Barbarhat sempre levou sua condição com serenidade, apesar do preconceito e dos olhares curiosos. “Desde pequena, as pessoas me abordavam nas ruas e até me ofereciam remédios”, lembra. Aos 15 anos, decidiu interromper os tratamentos que buscavam restaurar a pigmentação e passou a focar na aceitação da própria imagem.
Hoje, ela é um dos rostos mais expressivos do skin positivity no Brasil — movimento que valoriza marcas, manchas e cicatrizes como partes legítimas do corpo. Nas redes sociais, soma mais de 186 mil seguidores no Instagram e 170 mil no TikTok.
Barbarhat também idealizou o evento “Pele Plural”, que reúne pessoas com vitiligo e outras condições dermatológicas para promover orgulho, representatividade e liberdade. A terceira edição acontecerá no dia 22 de junho, em São Paulo.
“É um espaço de celebração da diversidade da pele. O que muitos veem como imperfeição é, na verdade, identidade”, conclui a influenciadora.
