Chefe do PCC foge após romper tornozeleira eletrônica e é procurado por assalto milionário em aeroporto no RS
Adriano Pereira de Souza, conhecido como Cigano, apontado como um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC), está foragido e sendo procurado pela Polícia Federal. Ele é acusado de envolvimento direto em um dos maiores assaltos já registrados no Rio Grande do Sul, ocorrido no aeroporto de Caxias do Sul, onde mais de R$ 14 milhões foram roubados no ano passado.
Preso na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), Cigano cumpria pena pelos crimes relacionados ao assalto, mas obteve autorização judicial para prisão domiciliar por 60 dias, alegando necessidade de tratamento de saúde. No entanto, segundo a Polícia Penal, ele rompeu a tornozeleira eletrônica no dia 29 de maio, apenas uma semana após a instalação do equipamento, e fugiu. Um novo mandado de prisão foi expedido pela Justiça Federal.
De acordo com as investigações da PF, Cigano exercia papel central dentro da organização criminosa. Ele seria um dos líderes do PCC em Guarulhos (SP) e tido como o integrante com “maior capacidade intelectual”, responsável pela logística financeira da operação e ligado a pelo menos 23 assaltos no Brasil e no Paraguai.
O assalto no aeroporto mobilizou duas facções — uma do Rio Grande do Sul e outra de São Paulo. Pelo menos nove criminosos participaram da ação, vestindo uniformes falsos e utilizando veículos disfarçados de viaturas policiais. Eles invadiram a pista do aeroporto e abordaram um avião-pagador, trocando tiros com agentes de segurança. Um dos assaltantes, Guilherme Costa Ambrozio, e o policial militar Fabiano Oliveira morreram no confronto.
Durante a fuga, os criminosos utilizaram uma van adaptada como transporte escolar para despistar a polícia. No total, 13 veículos foram empregados no assalto, incluindo caminhonetes blindadas e com logotipos falsificados da Polícia Federal.
A investigação também identificou os imóveis usados na logística do crime: três sítios localizados em Igrejinha, Riozinho e Alto Feliz, além de duas casas em Alvorada e Farroupilha.
No dia 13 de setembro, a Justiça Federal recebeu a denúncia contra 19 dos envolvidos, tornando-os réus por latrocínio e tentativa de latrocínio. A acusação aponta que os assaltantes colocaram em risco as vidas de 13 funcionários de empresas de segurança e oito policiais, além da morte do militar.
A Polícia Penal do RS informou que foi contrária à decisão judicial que concedeu a prisão domiciliar a Cigano, mas cumpriu a ordem e instalou a tornozeleira no dia 22 de maio. Após o rompimento do dispositivo, o fato foi imediatamente comunicado ao Judiciário e às forças de segurança, que agora intensificam as buscas para recapturar o foragido.
