Americano com dupla nacionalidade é acusado de tentar incendiar embaixada dos EUA em Tel Aviv
Joseph Neumeyer, de 28 anos, cidadão com dupla nacionalidade americana e alemã, foi acusado de tentar incendiar um escritório da embaixada dos Estados Unidos em Tel Aviv, Israel, em meados de maio. A informação foi divulgada pelo The New York Times e confirmada pelo Departamento de Justiça dos EUA.
Segundo as autoridades, Neumeyer aproximou-se da entrada destinada a funcionários portando uma mochila com três coquetéis molotov — garrafas contendo etanol e panos. Antes de fugir, ele teria cuspido em um agente de segurança local, deixando o material explosivo para trás.
O suspeito foi localizado e preso ainda no mesmo dia, em um hotel de Tel Aviv. Após sua detenção, foi deportado para os Estados Unidos no sábado (24/5) e detido no Aeroporto de Nova York no dia seguinte. No mesmo domingo (25/5), Neumeyer compareceu à corte federal no Brooklyn, onde permanecerá preso enquanto aguarda julgamento. Ele pode ser condenado a até 20 anos de prisão.
Ameaças nas redes e motivação
De acordo com investigações conduzidas pelo FBI, entre março e maio, Neumeyer publicou diversas mensagens ameaçadoras em sua conta no Facebook. Em 19 de maio, escreveu: “Juntem-se a mim nesta tarde em Tel Aviv — vamos incendiar a embaixada dos EUA.” Já em 22 de março, publicou: “Estamos matando Trump e Musk agora”, referindo-se ao ex-presidente dos EUA e ao empresário Elon Musk. Outras postagens incluíam frases como “Morte à América” e “Morte ao Ocidente”.
As autoridades também informaram que Neumeyer deixou os Estados Unidos rumo a Israel em 23 de abril, aproximadamente um mês antes da tentativa de ataque.
Contexto de tensão diplomática
O episódio ocorre em meio a um cenário de tensão envolvendo representações diplomáticas. Na semana anterior ao atentado frustrado, dois funcionários da embaixada de Israel em Washington foram assassinados a tiros por Elias Rodriguez, que, segundo depoimento à polícia, afirmou ter agido “pela Palestina”.
A embaixada dos EUA em Tel Aviv, alvo da ação de Neumeyer, opera atualmente como escritório secundário desde 2018, quando a sede principal foi transferida para Jerusalém — mudança que provocou protestos internacionais.
Defesa mantém silêncio
Procurado pelo The New York Times, o advogado de defesa Jeff Dahlberg, nomeado pela Defensoria Pública Federal de Nova York, preferiu não comentar o caso. Neumeyer permanece detido, sem direito a fiança, no Centro de Detenção Metropolitano.
