Brasil registra queda nos casamentos e alta nos divórcios em 2023, revela IBGE
O Brasil está enfrentando uma mudança significativa nos padrões de relacionamento. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em 2023, foram registrados 940.799 casamentos em todo o país — uma queda de 3% em relação ao ano anterior. Em contrapartida, os divórcios cresceram 5%, totalizando 440.827 registros. A tendência revela um cenário de menos uniões e mais separações, com a taxa de nupcialidade caindo para 5,6 casamentos por mil habitantes.
Grande parte dos divórcios ocorre em casamentos com menos de 10 anos de duração, com a média nacional das separações situando-se em 13,8 anos de união. O fenômeno também aponta para um envelhecimento dos noivos: aumentou o número de casamentos entre pessoas com 40 anos ou mais, enquanto os mais jovens vêm adiando ou abrindo mão do matrimônio.
Um destaque nos dados é o crescimento proporcional das uniões homoafetivas, especialmente entre mulheres, contrastando com a redução observada nas uniões heterossexuais. Em termos regionais, Sudeste e Norte lideraram as quedas na taxa de casamentos, enquanto o Centro-Oeste registrou um leve aumento de 0,8%. Entre os estados com maior índice de casamentos estão Rondônia (9,1) e Acre (8,5). Piauí e Sergipe apresentaram as menores taxas, com 3,7 e 3,8 respectivamente.

Do lado dos divórcios, 47,8% foram formalizados em uniões com menos de uma década. A média de idade das mulheres que se divorciaram foi de 41,4 anos, enquanto os homens estavam, em média, com 44,3 anos. Um dado relevante é que mais da metade (53,3%) dos casais que se divorciaram tinham filhos menores de idade, o que acende um alerta sobre o impacto emocional e estrutural dessas separações nas famílias com crianças.
As transformações evidenciadas pelo levantamento do IBGE indicam uma nova configuração nos relacionamentos no Brasil, marcada por maior autonomia individual, casamentos mais tardios e vínculos afetivos mais curtos.
