Como é feita a fumaça do conclave? Entenda o sistema por trás do sinal que anuncia um novo Papa
Teve início nesta quarta-feira (7), no Vaticano, mais um conclave para a escolha do novo Papa. Ao todo, 133 cardeais estão reunidos na Capela Sistina, votando no sucessor de Francisco, falecido no mês passado. Durante o processo, o mundo inteiro volta os olhos para um dos símbolos mais tradicionais da Igreja Católica: a fumaça que sai da chaminé, indicando o resultado de cada rodada de votação.
A tradição é simples na forma, mas carregada de significado: fumaça preta indica que nenhum nome atingiu o consenso necessário, enquanto a fumaça branca anuncia que Habemus Papam — “temos um Papa”. Mas o que garante que essa fumaça tenha, de fato, a cor certa?

Ciência por trás da tradição
Desde 2005, o Vaticano utiliza um sistema eletrônico com cartuchos pirotécnicos para gerar as fumaças de cores distintas. O método moderno foi desenvolvido pelo especialista em fogos de artifício Massimiliano De Sanctis e garante visibilidade e precisão ao sinal visual tão aguardado por fiéis na Praça São Pedro.
O sistema usa dois fornos conectados à mesma chaminé. O primeiro, mais tradicional, é onde são queimadas as cédulas de papel com os votos dos cardeais. O segundo, eletrônico, abriga os cartuchos de fumaça, que contêm seis cápsulas interligadas e são responsáveis por liberar a fumaça colorida de forma contínua por até sete minutos.
O que dá cor à fumaça?
A cor da fumaça depende da substância usada na combustão:
– Fumaça preta: é produzida com naftalina, que ao ser queimada gera partículas escuras que absorvem a luz, criando o efeito visual escuro.
– Fumaça branca: é gerada com lactose, que se decompõe termicamente ao ser aquecida, liberando partículas sólidas finas que refletem a luz de forma difusa, criando o tom claro.
As substâncias são cuidadosamente manipuladas para garantir que o sinal seja visível e inequívoco — algo que nem sempre ocorria no passado, quando o processo dependia da queima de palha úmida e cédulas de papel, com resultados muitas vezes imprecisos.
Precisão e segurança
Segundo De Sanctis, cada cartucho tem seis pequenas “granadas” conectadas em série, que garantem a liberação uniforme da fumaça durante o tempo necessário. O sistema foi utilizado com sucesso nas eleições de Bento XVI (2005) e Francisco (2013), e volta a ser empregado neste novo conclave.
Assim, tradição e tecnologia se unem em um dos momentos mais simbólicos do catolicismo, garantindo que o anúncio de um novo Papa chegue ao mundo de forma clara, confiável e solene.
