Morte de menino de 7 anos em lago do Rio Solimões é atribuída a ataque de jacaré-açu
A comunidade ribeirinha de Cuia Grande, no município de Anamã, foi surpreendida, neste fim de semana, pela morte do pequeno Felipe Tinoco, 7 anos, desaparecido enquanto dormia em uma rede armada entre árvores durante uma pescaria com o pai às margens de um lago do Rio Solimões. O corpo foi encontrado no fim da tarde de quinta-feira (2), com fraturas no pescoço e diversas lacerações compatíveis com ataque de animal.
De acordo com informações da 8ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), o pai da vítima relatou que percebeu o sumiço do filho e iniciou buscas com moradores, sem sucesso. Equipes de mergulho do Corpo de Bombeiros foram acionadas ao amanhecer e localizaram o corpo cerca de 500 metros do ponto onde a família acampava.
O laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML) descartou afogamento como causa da morte e apontou trauma cervical e perfurações que sugerem mordidas de jacaré-açu (Melanosuchus niger), espécie comum na bacia do Solimões e que pode ultrapassar cinco metros de comprimento. “Os ferimentos apresentam características de preensão e torção típicas de grandes répteis”, informou o legista responsável.
A Delegacia de Polícia Civil de Anamã instaurou inquérito para apurar as circunstâncias do ocorrido e ouvir testemunhas. “Vamos reunir laudos periciais, declarações dos familiares e de moradores para confirmar se se trata de ataque de animal ou há outro fator envolvido”, declarou o delegado. A prefeitura disponibilizou apoio psicossocial à família.
Especialistas em fauna silvestre ressaltam que o período de cheia, entre abril e julho, aumenta a proximidade de jacarés aos barrancos e áreas de acampamento. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) reforçou orientações de segurança: evitar dormir próximo à lâmina d’água, manter iluminação nas margens e jamais descuidar de crianças em áreas de risco.
