Arara-canindé com mutação rara é avistada em plantação de soja no Tocantins e chama atenção de moradores
Uma arara-canindé com plumagem incomum, possivelmente afetada por lutinismo, vem chamando a atenção de produtores rurais e especialistas em aves silvestres na região leste do Tocantins. O registro foi feito no dia 1º de abril por Paulo Sérgio Vendrusculo, enquanto a ave se alimentava de grãos de soja deixados na lavoura após a colheita.
A arara apresenta penas com coloração esbranquiçada, diferente do padrão azul e amarelo característico da espécie. Segundo o biólogo Túlio Dornas, do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave/ICMBio), o caso pode ser classificado como leucismo ou lutinismo, mutações genéticas raras que alteram a pigmentação das aves.
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“A condição aberrante da plumagem tem origem em mutações genéticas, com expressão de genes recessivos ligados à pigmentação”, explicou Dornas.

Ave costuma andar sozinha, mas já foi vista acompanhada
Além da mutação, o comportamento da arara também intriga os moradores. Paulo Sérgio conta que a ave é frequentadora habitual da propriedade há cerca de um mês, mas que costuma andar sozinha, ao contrário das outras araras-canindés que vivem em bandos.
“O pessoal que estava fazendo a colheita me ligou dizendo que havia um casal de araras. Mas eu só a vi sozinha”, relatou o produtor.
Outro registro foi feito no dia 30 de março pelo autônomo Leandro Ferreira Martins, durante visita à mesma fazenda. Ele disse que, pela primeira vez, viu a arara acompanhada por outra da mesma espécie.
“Ela estava em uma árvore com outra arara, mas normalmente a vemos isolada, como se fosse rejeitada”, comentou Leandro.
O biólogo Túlio Dornas, no entanto, afirma que não há comprovação científica de que araras com mutações pigmentares sejam rejeitadas pelo bando.
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“Em casos semelhantes observados no campo, aves com plumagem aberrante permanecem com o grupo. No vídeo, inclusive, a arara aparece acompanhada, provavelmente por seu par”, explicou.

Leucismo ou lutinismo?
As duas mutações possíveis apresentam características distintas:
– Leucismo: redução ou ausência parcial de melanina nas penas. A ave pode manter a coloração típica em olhos e bico.
– Lutinismo: ausência completa de melanina, resultando em penas amareladas ou avermelhadas, com coloração influenciada por carotenoides.
Para confirmar o diagnóstico, seria necessário um estudo genético mais detalhado. Casos semelhantes já foram registrados nos municípios de Porto Nacional, Brejinho de Nazaré e Aliança do Tocantins.
Arara-canindé: símbolo do Tocantins
A arara-canindé é uma das aves mais emblemáticas do cerrado tocantinense. Com até 80 cm de comprimento e peso médio de 1,3 kg, a espécie pode viver até 50 anos na natureza. Alimenta-se principalmente de frutos nativos, como pequi, caju e buriti, mas também consome grãos de plantações.
Apesar da beleza da mutação, especialistas alertam para a importância da preservação do habitat natural das aves e do monitoramento de indivíduos com características incomuns, que podem ser mais vulneráveis a predadores e dificuldades de socialização no ambiente selvagem.
