Coreia do Sul vive tensão política após impeachment de Yoon Suk Yeol; milhares protestam em Seul
Milhares de manifestantes tomaram as ruas da capital sul-coreana neste sábado (5) em apoio ao presidente deposto Yoon Suk Yeol, oficialmente destituído de seu cargo na sexta-feira (4) após decisão do Tribunal Constitucional do país. A Corte validou o impeachment de Yoon, acusado de ter tentado perturbar a ordem democrática ao impor brevemente lei marcial em dezembro, mergulhando o país em uma grave crise institucional.
Mesmo sob forte chuva, apoiadores do ex-presidente protestaram no centro de Seul, entoando frases como “O processo de impeachment é inválido!” e “Cancelem as eleições antecipadas!”. As manifestações demonstram que a decisão judicial, embora formal, ainda está longe de ser unanimidade entre a população.
“Como alguém da faixa dos 20 aos 30 anos, estou profundamente preocupado com o futuro do país”, afirmou o manifestante Yang Joo-young, de 26 anos.

Crise política e eleições em 60 dias
Com a destituição de Yoon, a Coreia do Sul deverá realizar eleições presidenciais antecipadas dentro de 60 dias, conforme determina a Constituição do país. A medida segue a acusação de que o ex-presidente teria decretado lei marcial em 3 de dezembro de 2024, alegando ameaças externas da Coreia do Norte e presença de elementos antiestatais no Parlamento.
Contudo, o Tribunal considerou que as ações de Yoon representaram uma “grave ameaça à estabilidade nacional”, ultrapassando os limites do poder presidencial.
Divisão ideológica e desinformação
Desde o impeachment, figuras religiosas extremistas e influenciadores digitais de direita intensificaram campanhas de desinformação em apoio a Yoon. Especialistas alertam que esse movimento pode polarizar ainda mais o cenário político sul-coreano nos próximos meses.
“Acredito sinceramente que a Coreia do Sul está acabada. Parece que já fizemos a transição para um Estado socialista e comunista”, declarou a apoiadora Park Jong-hwan, de 59 anos, em tom alarmista.
Novo cenário eleitoral
O principal beneficiado com a queda de Yoon é o líder da oposição, Lee Jae-myung, que surge como favorito nas pesquisas para as eleições presidenciais. Lee, que já foi rival de Yoon nas urnas, defende uma abordagem mais conciliatória em relação à Coreia do Norte e promete restaurar a estabilidade institucional.
Com o calendário eleitoral apertado e a população dividida, a Coreia do Sul vive um dos seus momentos políticos mais delicados em décadas. O próximo pleito definirá não apenas um novo chefe de Estado, mas o rumo da democracia sul-coreana em um cenário de crescente tensão regional e polarização interna.
