Panamá anuncia saída da Nova Rota da Seda em meio a pressões dos EUA
O governo do Panamá oficializou sua retirada da Iniciativa do Cinturão e Rota, conhecida como Nova Rota da Seda, projeto liderado pela China que visa expandir rotas comerciais e investimentos em infraestrutura global. O anúncio foi feito pelo presidente panamenho, José Raúl Mulino, que afirmou que a embaixada do país em Pequim já formalizou o rompimento do acordo, solicitando um período de 90 dias para finalizar o processo.
A decisão ocorre poucos dias após a visita do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ao Panamá. Durante a visita, Rubio reforçou as preocupações do governo norte-americano sobre a crescente influência chinesa na região, especialmente no que tange ao controle do Canal do Panamá. O presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a ameaçar retomar o controle do canal caso a presença chinesa não fosse contida.

A China lamentou profundamente a decisão panamenha e criticou a postura dos Estados Unidos. Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, afirmou que Pequim se opõe firmemente às ações de difamação e sabotagem dos EUA em relação à cooperação do Cinturão e Rota, e espera que o Panamá considere os interesses de longo prazo de ambos os países, evitando interferências externas.
Especialistas apontam que a saída do Panamá da Nova Rota da Seda pode ter implicações significativas para os investimentos chineses no país, especialmente em projetos de modernização portuária e expansão energética. Além disso, a decisão reflete a crescente tensão geopolítica entre Estados Unidos e China na América Latina, região estratégica para ambos os países.
O Canal do Panamá, responsável por cerca de 6% do comércio marítimo mundial, tem sido um ponto focal nas disputas de influência entre as duas potências. A recente decisão do governo panamenho destaca os desafios que nações estrategicamente posicionadas enfrentam ao equilibrar relações com grandes potências globais.
