Milhares de caranguejos são flagrados acasalando na areia de praias do litoral de São Paulo
Milhares de caranguejos foram flagrados acasalando na faixa de areia das praias do Itaguaré e Guaratuba, em Bertioga, no litoral de São Paulo, nestes primeiros dias de fevereiro. De acordo com o biólogo Rafael Silva, professor e especialista do aquário AquaFoz, esses animais são conhecidos como “caranguejo-uçá” e têm origem nos manguezais brasileiros.
Segundo Rafael, essa espécie de caranguejo vive no ecossistema manguezal e desempenha um papel crucial na manutenção desse ambiente, além de ser uma fonte de renda e alimento para a população local. Contudo, é importante destacar que existe um período em que o animal está em “defeso”, o que impede a comercialização ou captura desses seres.
O especialista ressaltou que o caranguejo-uçá não transmite e nem causa qualquer tipo de malefício ao ser humano. Quando questionado se esses animais são os mesmos vendidos nas rodovias do litoral de São Paulo, ele afirmou que pertencem à mesma espécie.

O biólogo Eric Comin, que explicou que a espécie é onívora, alimentando-se principalmente de folhas em decomposição, frutos e sementes de mangue-preto. No entanto, em algumas ocasiões, observa-se também o consumo de pequenos mexilhões e moluscos.
De acordo com Eric, o caranguejo-uçá é territorialista; ele escava e mantém a limpeza de suas próprias tocas, raramente entrando em galerias que não sejam as suas. Caso isso aconteça, o invasor é imediatamente expulso. Além disso, são animais cautelosos, e qualquer movimento nas proximidades os faz se refugiarem em suas galerias. A profundidade de suas tocas pode variar de 60 a 180 cm, dependendo da região e da época do ano.
O especialista destacou que, durante o acasalamento, a espécie abandona sua toca e vaga lentamente pelo manguezal, fenômeno conhecido como “andada”, “carnaval” ou “corrida” do caranguejo. Os machos, que têm tamanho maior, lutam entre si e perseguem as fêmeas para a cópula. O período de acasalamento varia conforme os estudos e a região, sendo registrado no Brasil entre dezembro e maio.
Por fim, Eric informou que, após a fecundação, a fêmea carrega externamente em seu abdome uma massa de ovos (bolsa ovígera); as larvas são liberadas na água e crescem no oceano, tornando-se adultas em 10 a 12 meses.
