Petro reconhece ‘fracasso’ diante da violência do ELN na Colômbia
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, reconheceu, nesta terça-feira, como um ‘fracasso’ o recrudescimento da violência da guerrilha do ELN na fronteira com a Venezuela A onda de crimes deixa 80 mortos e cerca de 32 mil deslocados até agora.
Desde a quinta-feira, diferentes focos de conflito eclodiram no país, o mais grave na região do Catatumbo, fronteiriça e repleta de cultivos de drogas, onde rebeldes do Exército de Libertação Nacional (ELN) enfrentam dissidentes das antigas Farc e atacam a população civil. ‘A situação no Catatumbo ensina. Também se aprende com os fracassos e há um fracasso. Um fracasso da nação […] Por que será que o ELN hoje, poucos meses depois de estar muito fraco, militarmente falando, está forte?’, admitiu o presidente de esquerda que negociava a paz com os rebeldes até a sexta-feira.
Desde que a violência explodiu, milhares de deslocados fogem para municípios mais seguros ou para a Venezuela, em um êxodo sem precedentes recentes, que remete às piores épocas do conflito armado. O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse nesta terça que estava ‘profundamente preocupado’ e pediu o ‘fim imediato dos atos de violência contra a população civil’ no Catatumbo.

Até agora, a Força Pública não entrou nas zonas críticas para enfrentar os rebeldes. Os mais de 5.000 soldados destacados se concentraram em resgatar em helicópteros a população em risco. A violência coloca em xeque a aposta do presidente de esquerda de alcançar a paz com todos os grupos armados na Colômbia.
Seus opositores o criticam de ser indulgente com os grupos armados e asseguram que as organizações se fortaleceram durante o seu mandato.A Defensoria do Povo atualizou o número de deslocados para 32 mil nesta terça, e garantiu que ‘houve um anúncio do ELN segundo o qual vai desescalar o conflito’.
De acordo com o escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos na Colômbia, no Catatumbo há 30 pessoas ‘privadas da liberdade’ e denunciou o confinamento de mil pessoas, entre elas ’23 comunidades indígenas’. Desde que chegou ao poder em 2022, Petro aposta por uma saída dialogada para o conflito com guerrilhas, gangues e grupos de narcotraficantes.
Levantado em armas desde 1964 e de inspiração guevarista, o ELN tem cerca de 5.800 combatentes e uma ampla rede de colaboradores, segundo a inteligência militar.
