Esquerdista e conservador disputam presidência em 2º turno acirrado no Uruguai
O Uruguai vai às urnas neste domingo (24) para decidir quem será o próximo presidente, em uma disputa acirrada entre o esquerdista Yamandú Orsi e o conservador Álvaro Delgado, ambos com chances quase iguais de vitória. A pesquisa mais recente aponta que Orsi tem 47% das intenções de voto, enquanto Delgado está com 46%, com uma margem de erro de 3,4 pontos percentuais, o que coloca os dois candidatos tecnicamente empatados.
Yamandú Orsi, de 57 anos, representa a Frente Ampla, coalizão de esquerda que governou o Uruguai por 15 anos até perder a presidência em 2020. Orsi tem sido apoiado pelo ex-presidente José Mujica e busca recuperar o cargo para sua coalizão. Como governador de uma das regiões do país e ex-professor de história, ele aposta em um discurso de continuidade e transformação, ressaltando os bons resultados da Frente Ampla nas eleições legislativas, quando o partido conquistou 16 das 30 cadeiras do Senado e 48 das 99 vagas da Câmara. Em sua campanha, Orsi tem enfatizado a necessidade de continuar os avanços conquistados, mantendo uma postura firme e determinada.

Álvaro Delgado, de 55 anos, é o candidato apoiado pelo atual presidente, Luis Lacalle Pou, da direita. Veterinário e ex-secretário da Presidência, Delgado tem usado o legado do governo de Lacalle Pou para atrair eleitores, destacando conquistas nas áreas de segurança, infraestrutura, saúde e economia. Em seu discurso, ele aposta na ideia de uma “maioria silenciosa”, que não se envolve nas grandes manifestações, mas prefere a continuidade do governo atual. Delgado também acredita que sua vitória representa uma escolha por um governo mais eficaz e pragmático.
A diferença entre os dois candidatos tem se estreitado nos últimos dias. Eduardo Bottinelli, sociólogo e diretor da consultoria Factum, afirma que o cenário está “muito competitivo” e que a eleição pode ser decidida por uma margem muito pequena, possivelmente menos de 50 mil votos, como ocorreu em 2019, quando a disputa foi definida por apenas 37 mil votos. Isso reflete um país dividido, onde a disputa pela presidência está extremamente polarizada entre os dois blocos.
Quase 3 milhões de eleitores estão aptos a votar neste segundo turno, que definirá quem governará o país pelos próximos cinco anos, já que a legislação uruguaia não permite reeleição. A expectativa é que, independentemente do resultado, a eleição seja aceita pacificamente, com a transição de poder ocorrendo de forma estável, como é comum no Uruguai. No entanto, tanto Orsi quanto Delgado precisarão buscar uma conciliação entre as forças políticas, já que ambos representam blocos que terão que negociar no futuro.
