Bilionário sem rosto: quem é o fundador da Shein, desconhecido até pelos funcionários
Xu Yangtian, fundador da Shein, uma popular plataforma de fast-fashion chinesa, tem se mantido fora dos holofotes deliberadamente, de acordo com fontes, enquanto a empresa se prepara para umIPO (Oferta Pública Inicial) em Londres, com a meta de levantar R$ 312 bilhões (US$ 64 bilhões).
Embora seja comum entre empresários chineses de tecnologia manter um perfil discreto, a extensão das medidas tomadas por Xu para evitar a publicidade pessoal é notável. As informações são do South China Morning Post.

A Shein nunca publicou fotos de Xu, que também é conhecido como Sky Xu ou Chris Xu. Ele também nunca fez discursos públicos, mesmo durante o período de ascensão da marca.
Liderança discreta
De acordo com várias pessoas que trabalharam com Xu, o bilionário chinês prefere se manter longe dos holofotes devido a sua personalidade e à crença de que qualquer atenção indesejada poderia aumentar o escrutínio sobre a Shein. Liu Mingguang, consultor de cadeia de suprimentos da Shein entre 2015 e 2021, descreveu Xu como “ordinário, quieto e humilde”, mas também destacou sua capacidade de aprendizado rápido.
Nos primeiros dias da Shein, Xu e Henry Ren Xiaoqing, chefe de gerenciamento da cadeia de suprimentos da empresa, consultaram Liu para obter conselhos sobre como adquirir roupas de atacadistas chineses para vender no exterior e usar software para gerenciar um grande número de pedidos. Xu, segundo Liu, ouvia atentamente e iniciava discussões somente após o término do treinamento.
Vários ex-funcionários e funcionários atuais da Shein afirmam que Xu, magro e de óculos, muitas vezes passa despercebido no escritório. Como é comum na indústria de tecnologia chinesa, os funcionários da Shein gostam de compartilhar memes sobre seus chefes, mas, devido à ausência de fotos de Xu, esses memes são compostos apenas por texto.
Um consultor que trabalhou para Xu, que preferiu não se identificar para proteger suas relações comerciais, disse que o empreendedor valoriza mais a realização de tarefas do que a exposição pública. Ele acredita que se expor ao escrutínio não traz benefícios.
Apesar de seus esforços para manter o sigilo, a atenção pública sobre Xu, que supostamente obteve residência permanente em Singapura como parte dos esforços da Shein para suavizar sua ligação com a China, só aumentou. Não se sabe se Xu ainda possui passaporte chinês.
Donald Tang, presidente executivo da Shein, afirmou em uma conferência do Milken Institute em Los Angeles no mês passado que a empresa pode ser vista como chinesa, pois nasceu na China e ainda mantém muitos funcionários e fornecedores lá. No entanto, também pode ser considerada singapurense, por estar registrada em Singapura, e americana, devido ao fato de seu maior mercado ser os Estados Unidos e seguir valores americanos.
A postura discreta de Xu reflete uma estratégia cuidadosamente calculada para evitar complicações regulatórias e políticas que possam impactar os planos de crescimento da Shein. A empresa continua a expandir sua presença global enquanto navega pelas complexidades de operar entre várias jurisdições regulatórias e culturais.
