Corpos encontrados em barco à deriva no Pará são sepultados nesta quinta-feira, 25, em Belém
A Polícia Federal anunciou que os corpos encontrados em um barco à deriva no litoral paraense serão temporariamente sepultados nesta quinta-feira (25), a partir das 10h, no cemitério São Jorge, bairro da Marambaia, em Belém.
O funeral será realizado pelas instituições que participaram do resgate das vítimas, entre eles a Marinha, Corpo de Bombeiros e Polícia Científica do Pará.
Segundo a PF, o enterro provisório dará a possibilidade dos corpos futuramente serem exumados , caso sejam identificados e as famílias desejem um enterro em outro local.

“Até que as identidades tenham sido estabelecidas e as famílias das vítimas possam ser formalmente comunicadas, adotando-se os devidos canais de cooperação policial e jurídica internacionais”, informou a PF”.
Até o momento, nenhuma das vítimas foi identificada. A Polícia Federal segue em contato com Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) e entidades internacionais, enquanto perícias são feitas no Instituto Nacional de Criminalística (INC), em Brasília.
Além das nove vítimas, a investigação acredita o barco tinha capacidade máxima de comportar entre 30 e 40 pessoas. No veículo foram encontrados 25 capas de chuvas idênticas, além de 27 celulares e outros pertences.
O Instituto Nacional de Criminalística (INC) da Polícia Federal, apontou que aparelhos eletrônicos estão “prejudicados, visto que ficaram presos aos corpos em avançado estado de decomposição.
Um vídeo divulgado pela Polícia Federal mostra as capas de chuva no chão, já fora da embarcação – veja acima.
As imagens foram gravadas durante o trabalho de papiloscopistas do Núcleo de Identificação da PF, no pátio do Instituto Médico Legal em Bragança.
Documentos e objetos encontrados na embarcação apontam que as vítimas eram migrantes da região da Mauritânia e Mali, na África. Mesmo assim, pode haver pessoas de outras nacionalidades.
As investigações apontam que o grupo teria como destino as Ilhas Canárias. O arquipélago espanhol é usado como rota migratória no contrabando ilegal de imigrantes, segundo a PF.
A suspeita é que correntes marítimas tenham tirado a embarcação da rota prevista. O barco foi periciado e a Marinha apontou que ele é de fibra de vidro, construído de maneira artesanal. O veículo foi encontrado sem leme, motores, ou outros meios de condução.
Pescadores acharam o barco na Baía do Maiaú, próximo a ilha de Canelas, em Bragança, no nordeste do estado, no dia 13 de abril e chamaram as autoridades após constatarem que havia corpos em avançado estado de decomposição no fundo da embarcação.
Segundo a Polícia Federal, oito corpos estavam dentro da embarcação e um, próximo a ela, em circunstâncias que sugerem que o corpo fazia parte do mesmo grupo de vítimas.
