Líderes da UE apelam à contenção após o ataque iraniano a Israel e ao cessar-fogo imediato em Gaza
Os líderes da União Europeia (UE) apelaram à “moderação máxima” após o ataque iraniano do passado sábado contra Israel e apelaram a um cessar-fogo imediato em Gaza.
No primeiro dia da sua cimeira extraordinária em Bruxelas, os chefes de Estado e de governo comunitário mostraram firmeza para com o Irão, ao condenarem “forte e inequivocamente” o ataque contra Israel, país ao qual reiteraram a sua “total solidariedade” e compromisso com a sua segurança, além da estabilidade regional.
“O Conselho Europeu apela ao Irão e aos seus representantes para que cessem todos os ataques e insta todas as partes a agirem com a máxima contenção e a absterem-se de qualquer ação que possa aumentar as tensões na região”, indicaram nas suas conclusões.

Este pedido surge no mesmo dia em que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, deixou claro que ninguém irá ditar como responder ao ataque do Irão.
Apoiantes de mais sanções ao Irão
Por outro lado, os líderes apoiaram a ideia – defendida pelos ministros dos Negócios Estrangeiros comunitários – de abrir a porta a novas sanções contra o Irão como resultado do ataque.
“A União Europeia adotará novas medidas restritivas contra o Irão, em particular em relação a veículos aéreos não tripulados (drones) e mísseis. A União Europeia continua totalmente empenhada em contribuir para a desescalada e a segurança na região”, indicaram.
Alguns países, como a Bélgica, insistiram no seu pedido de inclusão da Guarda Revolucionária Iraniana na lista de grupos terroristas da UE, uma opção que só pode ser executada se solicitada por uma autoridade nacional de um Estado-Membro.
No entanto, o alto representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Segurança, Josep Borrell, disse que irá estudar se existe outra possibilidade legal no direito comunitário para poder executar a medida.
A Alemanha também apoia o estudo desta iniciativa, desde que seja apoiada por uma base jurídica.
Cessar-fogo em Gaza
Paralelamente, os líderes reiteraram o seu compromisso de trabalhar com os seus parceiros para pôr fim à crise de Gaza sem demora e implementar a resolução 2728 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, “em particular conseguindo um cessar-fogo imediato e a libertação incondicional de todos os reféns”.
“É a posição que alguns países, como Espanha e Bélgica, adotam há muito tempo. Estamos felizes por ver que (o pedido de) “cessar-fogo imediato” aparece. Antes falámos de uma “pausa humanitária”, e aqui está no texto de forma muito clara. Que esteja no texto é algo positivo, mas o importante é que a violência cesse”, afirmou o primeiro-ministro belga, Alexander De Croo, em declarações à imprensa.
“A União Europeia continua firmemente empenhada numa paz duradoura e sustentável baseada na solução de dois Estados”, acrescentaram.
Temendo que a crise acabe por afectar toda a região do Médio Oriente, os 27 manifestaram especial preocupação com a situação no Líbano, onde continuam os confrontos entre o grupo xiita Hezbollah e as forças israelitas.
Salientaram o seu apoio ao povo libanês e reconheceram as difíceis circunstâncias que o país atravessa internamente e como consequência das tensões regionais.
