Erupções em série: região da Islândia vem registrando intensa atividade vulcânica desde 2021
O vulcões da Península de Reykjanes, na Islândia, ficaram adormecidos por 800 anos, até que voltaram a lançar lavas pela região em 2021. De lá para cá, foram ao menos sete erupções. A última delas foi neste sábado (16), quando foi preciso colocar barreiras de proteção para manter as lavas sob controle.
“A erupção foi bastante energética e saiu muito material, mais do que na erupção anterior. Portanto, a lava estava fluindo muito rápido”, disse Halldor Geirsson, professor associado do Instituto de Ciências da Terra da Universidade da Islândia.
A Islândia é uma ilha no Atlântico Norte com intensa atividade sísmica. Ela fica entre as placas tectônicas eurasiáticas e norte-americana e também é uma das regiões vulcânicas mais ativas do planeta, com 33 vulcões ou sistemas vulcânicos catalogados como ativos.

Relembre a seguir as principais erupções nos últimos anos.
2021
Após semanas de pequenos terremotos, um vulcão na montanha Fagradalsfjall, a apenas 30 quilômetros de Reykjavik, entrou em erupção no dia 19 de março de 2021. A área fica perto do famoso resort de fontes termais da Lagoa Azul.
A causa dos tremores se deveu justamente ao movimento de grandes massas de rocha derretida, conhecida como magma, a um quilômetro abaixo da península, tentando encontrar um caminho para a superfície.
Na ocasião daquela erupção, um helicóptero da Guarda Costeira islandesa fez imagens impressionantes da erupção, mostrando rios de lava sinuosos. A erupção ficou ativa por seis meses e virou atração turística.
2022
Um vulcão do sistema vulcânico Krysuvik, na Península de Reykjanes, entrou em erupção em 3 de agosto de 2022.
Nos dias seguintes, milhares de curiosos chegavam para contemplar a lava que saía do vulcão.
Julho de 2023
A poucos quilômetros de onde ocorreram as erupções de 2021 e 2022, uma pequena montanha chamada Litli Hrutur começou a espelir lavas em julho de 2023.
As imagens, transmitidas ao vivo pela imprensa islandesa, mostravam um fluxo de lava que parecia sair de uma falha, além de muita fumaça.
Dias depois, os moradores da península de Reykjanes receberam orientação para fechar as janelas e desligar a ventilação, porque o vulcão estava expelindo gás tóxico com risco de vida.
Naquela época, câmeras registram o nascimento de novo vulcão na Islândia. Magnús Freyr Sigurkarlsson, especialista em desastres naturais do Met Office da Islândia, disse para a mídia estatal RUV que uma agitação de terra prolongada na região fez com que a borda da cratera se rompesse.
Dezembro de 2023
Pesquisadores e autoridades islandesas já esperavam uma grande erupção em dezembro do ano passado, porque o país vinha registrando centenas de tremores de terra. Entre 8 e 9 de novembro, por exemplo, 1.400 sismos foram registrados.
A erupção no sistema vulcânico Svartsengi aconteceu 18 de dezembro e levou à evacuação dos 4.000 residentes de Grindavik e o fechamento do spa geotérmico Lagoa Azul, um ponto turístico popular.
Naquele mês, uma fissura de 4 km de extensão foi aberta, expelindo de 100 a 200 metros cúbicos de lava por segundo. O volume de lava registrado ficou acima da média de erupções anteriores, segundo especialistas.
Janeiro de 2024
Em janeiro de 2024, uma nova erupção na mesma região. E as lavas chegaram a atingir os arredores da cidade de Grindavik, incendiando algumas casas. As autoridades tiveram que construir barreiras de terra e de rocha para tentar impedir que a lava avançasse ainda mais.
Um vídeo transmitido ao vivo mostrou lava fluindo a apenas algumas centenas de metros de Grindavik, uma cidade pesqueira.
A erupção de fevereiro começou expelindo lava a 80 metros de altura de uma fenda de 3 km na terra. Mas no dia seguinte havia apenas fumaça e vapor vindos de algumas aberturas. Cerca de 15 milhões de metros cúbicos de rocha derretida fluíram do solo nas primeiras sete horas da erupção.
Escolas, creches, museus e outras instituições públicas da região foram fechadas, pois a lava atingiu canos usados para fornecer água quente por geotermia. Mais de 20 mil pessoas foram afetadas.
Imagens de satélite publicadas pelo escritório metereológico mostraram que os fluxos de lava atingiram cerca de 4,5 km a oeste da erupção, a apenas 500 metros da Lagoa Azul.
Março de 2024
O mesmo vulcão da região de Reykjanes, ao sul da capital da Islândia, entrou em erupção pela quarta vez em três meses.
O Serviço Meteorológico da Islândia informou que uma fenda de quase três quilômetros de extensão se abriu na Península de Reykjanes.
