Yana Sardenberg fala sobre diagnóstico de endometriose após desmaio
Com mais de 20 anos de carreira e 33 anos de idade, Yana Sardenberg cresceu na TV e se prepara para chegar aos cinemas com a comédia Stand Up, em 23 de novembro. A atriz estreou na TV em 2000, participando do infantil Gente Inocente, da TV Globo, e se manteve no meio artístico desde então.
Bastante ativa nas redes sociais, Yana viu um de seus posts que ganharam muito engajamento quando falou estar “cansada de ter medo de ser mulher”.

“Nascer mulher já é, naturalmente, um ato político. Você precisa se impor o tempo inteiro: na rua, no trabalho, na vida social, no relacionamento, na família… O patriarcado passa por cima de você sem dó, nem piedade. Eu faço terapia há 15 anos e digo que meu posicionamento mudou muito quando comecei a me conhecer melhor e entender a minha potência máxima”, afirma a atriz, que também participou de sucessos como Floribella, na Band, e As Five, na Globoplay.
No streaming, Yana divide ainda a personagem Carol com a atriz Klara Castanho na série De volta aos 15, na Netflix.
Diagnosticada com endometriose, Yana resolveu compartilhar o tema nas redes sociais. “Está sendo muito importante essa troca”, diz. “Ainda não pensei na ideia de ter filhos, mas isso é uma questão que ainda vou precisar organizar comigo mesma”, completa.
A Carol marcou um novo espaço para você no audiovisual. O que mais gostou deste trabalho? Como sentiu o retorno do público?
Foi minha estreia no streaming. Amei estar com o elenco jovem e sentir essa diferença de gerações interagindo. É muito incrível pensar que a série ficou no top 10 global da Netflix, onde 2 milhões de pessoas assistiram em cinco dias. Tenho família em Portugal e, quando fui visitá-los esse ano, várias pessoas tinham visto e amado. Em Paris também. Nunca vivi nada parecido.
A série tem a premissa da volta no tempo. Quando você pensa em uma fase que gostaria de voltar, qual seria?
Eu não mudaria nada no meu passado, mas, se eu pudesse voltar, penso que teria passado mais tempo com a minha avó materna que faleceu. Sinto muita falta da nossa convivência.
O filme Stand Up chega aos cinemas ainda neste ano. Como foi exercitar o trabalho na comédia? Considera o gênero mais difícil?
A estreia é em novembro e estou super ansiosa pra me ver na tela do cinema. Eu brinco dizendo que sou uma comediante ainda não reconhecida (risos). No meu dia a dia, tenho um humor único e, às vezes, ácido. Minhas amigas dizem que eu deveria fazer um filme ou série sobre isso. Comédia é uma delícia de fazer. E também um desafio porque fazer o público rir não é uma tarefa fácil.
Sua presença nas redes sociais é forte. Você falou sobre o diagnóstico da endometriose por lá. Como avalia a troca com os seguidores?
Diria que foi essencial. Consegui também entender o meu caso e ouvir muitas histórias de várias mulheres. Inclusive meninas que sentiam muitas dores e não sabiam o porquê. Está sendo muito importante essa troca.
Quais mudanças o diagnóstico te trouxe?
Primeiro, comecei com a pílula anticoncepcional que me aliviou as dores e os desmaios. Eu não menstruo justamente por conta da endometriose. Segundo, incluí na alimentação mais chás e alimentos que são desinflamatórios. Terceiro, a necessidade de fazer regularmente os exames com a ginecologista e ressonância. Ainda não pensei na ideia de ter filhos, mas isso é uma questão que ainda vou precisar organizar comigo mesma.
Em um dos seus posts que ganharam muito engajamento você falou estar “cansada de ter medo de ser mulher”. Quais as reflexões em cima disso?
Nascer mulher já é, naturalmente, um ato político. Você precisa se impor o tempo inteiro: na rua, no trabalho, na vida social, no relacionamento, na família… O patriarcado passa por cima de você sem dó, nem piedade. Eu faço terapia há 15 anos e digo que meu posicionamento mudou muito quando comecei a me conhecer melhor e entender a minha potência máxima. Sendo mulher, no Brasil, a atenção deve ser dobrada. Integro grupos de mulheres tanto pra debater sobre nossas questões existenciais quanto pra falar sobre o nosso futuro enquanto seres humanos que buscam pelo seu espaço.
