Mais de 40 refugiados que viviam em Palmas voltam para a Venezuela
Um grupo de 43 venezuelanos que viviam em Palmas voltam ao país de origem nesta sexta-feira (16). Os indígenas da etnia Warao, incluindo 20 crianças, embarcaram em um avião comercial às 17h no Aeroporto Brigadeiro Lysias Rodrigues. A prefeitura informou que gastou cerca de R$ 195 mil. O valor inclui todas as despesas com passagens aéreas, alimentação e transporte até o destino final.
A ação foi chamada de ‘Operação Acolhida – Retorno Seguro’. A viagem de retorno foi organizada pela Prefeitura de Palmas, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SEDES), e governo do estado.

Famílias da Venezuela começaram a chegar em Palmas em 2019 em busca de emprego, moradia e qualidade de vida. Dois anos após fixar moradia na capital, imigrantes ainda enfrentavam desafios financeiros e na educação. Continua sendo comum encontrar venezuelanos pedindo ajuda financeira. Com placas improvisadas, eles ficam em semáforos e canteiros de diferentes pontos da cidade.
Segundo a prefeitura, atualmente 84 indígenas estão acolhidos em prédios municipais no setor Santo Amaro e no Jardim Santa Bárbara, na região sul da cidade.
“Esse grupo com 44 pessoas pediu que os levássemos de volta para a Venezuela, pois não se adaptaram aqui, e por isso iniciamos a operação Retorno Seguro”, disse a secretária da Sedes, Simone Sandri.
Na primeira etapa da operação, no dia 9 de setembro, foi despachada uma tonelada de bagagens em um caminhão cedido pela Secretaria Estadual do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas), com destino a Pacaraima, em Roraima.
A secretária da Sedes, Simone Sandri, explica que o segundo passo da viagem é o embarque do grupo com destino a Manaus (AM), onde eles farão escala para Boa Vista (RR). “De lá seguem em um ônibus até Pacaraima, fronteira com a Venezuela onde familiares do grupo os aguardam em outro ônibus, que irá finalizar a viagem levando-os para a cidade de Tucupita, no estado de Delta Amacuro”, explicou.
Além do suporte logístico, a Prefeitura diz que fará o acompanhamento do grupo até seu destino, por meio de duas agentes de viagens que estarão com os venezuelanos durante todo o percurso.
As outras 40 pessoas continuam nos abrigos públicos. Segundo a prefeitura, eles vão continuar recebendo auxílios como moradia, alimentos, produtos de limpeza e higiene pessoal, atendimentos de saúde e também educação para as crianças.
Vida em Palmas

Uma reportagem especial publicada pelo g1 Tocantins em novembro de 2021 mostrou como viviam cerca de 40 famílias que decidiram fixar moradia em Palmas. Passados quase dois anos da entrada no novo país, famílias falaram sobre as condições de moradia e acesso a direitos básicos, como educação e emprego.
As famílias dormiam em colchões ou redes, dividiam uma cozinha pequena, além de banheiros, com apenas um chuveiro e um vaso sanitário.
Durante dois anos percorrendo partes do país, meninos e meninas em idade escolar ficaram sem frequentar escolas. Crianças e adolescentes ficavam nos semáforos junto com os pais para pedir doações.
O projeto para o retorno das crianças e jovens à escola foi iniciado através do Ministério Público do Tocantins (MPTO), em uma força-tarefa com outras entidades federais, estaduais e municipais.
