No Dia do Médico, profissionais comentam sobre os desafios da profissão
O Tocantins tem mais de 3 mil médicos inscritos no Conselho Regional de Medicina do Estado (CRM-TO), já formou mais de 13 turmas no curso de Medicina da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e atualmente a instituição tem 478 alunos aspirantes a médicos. Os números comprovam o crescimento do mercado, que está se transformado pela tecnologia, com equipamentos mais modernos e técnicas que evoluem a cada dia.
No dia do médico, comemorado nesse 18 de outubro, o anestesiologista e sócio do Hospital Palmas Medical, Francisco Guedes, que atua desde 2005, quando recebeu o diploma no curso de Medicina pela Faculdade de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de Vitória, acredita que no Brasil o maior desafio enfrentado pelos profissionais da área da saúde estão relacionados às péssimas condições de trabalho nas clínicas e hospitais públicos.
“A falta de insumos, materiais/medicamentos básicos e má infraestrutura limitam em demasia a nossa atividade e prejudicam os nossos resultados. Na minha visão, talvez esse seja o grande desafio encarado até hoje por todos nós médicos que atuamos também na iniciativa pública”, diz.
Guedes conta que, diferente de boa parte dos seus colegas, ele descobriu que queria ser médico um pouco mais tarde, já em meados do meu ensino médio há 22 anos. Três motivos o levaram à escolha da profissão: o propósito do trabalho do médico, que é salvar vidas, a afinidade com a área biológica durante todo o período escolar e a dificuldade de ingressar no curso, o que, em vez de desanimá-lo, o estimulava a superar a enorme concorrência.
“Para aqueles que optaram pela Medicina posso adiantar que a caminhada não será fácil, mas certamente a recompensa faz tudo valer a pena. Não existe nada mais gratificante do que promover a cura dos enfermo. Aconselho aos futuros colegas encararem as dificuldades com profissionalismo e responsabilidade. Nossos pacientes, que dependem de atendimento público, são vítimas de um sistema deficitário, cruel e covarde, com infraestrutura de péssima qualidade, e cabe a nós exercer o nosso relevante papel com dignidade e empatia pela vida do próximo”, pontua.
Já o urologista Guilherme Borges, conta que sempre quis ser médico. A decisão veio aos 14 anos. Segundo ele, seus tios, que também atuavam na área, o inspiraram como profissional. O médico, diretor técnico e CEO presidente do Hospital Palmas Medical trabalha há 25 anos na área. Nesse tempo ele diz levar uma certeza: o médico precisa estar sempre atualizado.

“Sempre quis ser médico. Achei que era interessante trabalhar tentando salvar vidas. Me formei em 1995, fiz dois anos em residência de cirurgia geral e dois anos de urologia. Na minha opinião, o maior desafio da Medicina é que o profissional precisa sempre melhor e se atualizar. É uma profissão que você não pode ficar parado. Ela evolui muito o tempo todo e você sempre tem que fazer cursos, congressos e sempre dar o melhor para o paciente. O desafio da Medicina atual é manter a qualidade da área”, reforça.
Para Guilherme, a criação de muitos cursos de Medicina nos últimos anos prejudicou a qualidade do profissional que sai para o mercado. “Entendemos que tem que aumentar o número de médicos, mas é complicada uma profissão como a nossa, formar gente sem ter qualidade. Acho que o maior problema será o risco da Medicina atual piorar muito a qualidade e trazer consequências graves para a população. Então o desafio será a qualificação dos médicos que estão entrando para o mercado”.
Ainda na visão de Guilherme, um dos aspectos mais importante para a profissão é a relação médico x paciente. “O médico tem que se doar e saber do lado do paciente. Se preocupar mesmo. Ele precisa ter paciência, ouvir e tratar essa pessoa com carinho na hora mais difícil da vida dela”, finaliza.
