Açougue vende salsicha de merenda escolar
Um açougue do Tucuruvi, na Zona Norte de São Paulo, foi flagrado pelo DIÁRIO, na terça-feira (14), vendendo salsicha destinada à merenda escolar para alunos da rede estadual de educação.
O comércio, que tem o nome fantasia de Mercadão da Carne e a razão social como Casa de Carnes Lito, fica na Avenida Nova Cantareira e comercializava o produto a R$ 14,99 o quilo.
O pacote com as salsichas estava exposto no frigorífico com o logotipo do governo do estado de São Paulo e a advertência: “Produto destinado ao consumo em ambiente escolar. Venda proibida”.
Questionada, a dona do estabelecimento, Fernanda Peres, disse ter comprado o lote diretamente da BRF, a empresa que reúne a Sadia e a Perdigão. “Era uma promoção”, alegou Fernanda. “Eu paguei R$ 6 o quilo que normalmente sai por R$ 8 para nós e depois vendemos por R$ 14,99”.
Os três pacotes de salsicha com o logo do governo estavam sem a data de validade. Os funcionários disseram que a embalagem havia sido rasgada e a data, perdida.
Procurada pelo DIÁRIO, a Secretaria Estadual de Educação afirmou ter notificado a BRF Alimentos, empresa fornecedora, e a convocou a prestar esclarecimentos diante do fato.
A secretaria do governo Geraldo Alckmin (PSDB) registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil e uma sindicância interna também foi aberta para apurar o caso.
“Não há qualquer interrupção na entrega deste tipo de alimento às escolas estaduais da região”, garantiu a pasta.
Já a SSP (Secretaria de Segurança Pública), à noite, alegou que dois homens foram detidos no açougue da Avenida Nova Cantareira e numa filial também na Zona Norte por comercializar salsichas em embalagens que continham a inscrição do governo do estado.
“A polícia apreendeu diversos pacotes do produto”, informou, em nota, a assessoria de imprensa da secretaria do governo tucano. O caso está sendo apresentado no 20º DP (Água Fria).
MP vai investigar o caso na esfera cível ou criminal
O Ministério Público do Estado, que já investiga a chamada máfia da merenda, depois de uma fraude na licitação de produtos destinados à rede estadual de educação, disse que vai investigar a venda de salsichas flagrada pelo DIÁRIO num açougue na capital paulista.
“Dependendo do tipo de fraude, vamos deslocar a investigação para as áreas cível ou criminal”, disse a assessoria do MP.
O MP já investiga a suspeita de que a Coaf (Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar), localizada em Bebedouro, no interior paulista, pagava propina a funcionários públicos em troca da celebração de contratos. Segundo o promotor que conduz o inquérito, Leonardo Romanelli, o caso foi remetido ao STF (Supremo Tribunal Federal) porque envolve políticos com foro privilegiado.

RESPOSTA DA BRF BRASIL
Erro de sistema
A BRF Brasil, empresa que reúne as marcas Sadia, Perdigão e Qualy, assumiu a responsabilidade pela venda irregular de produtos destinados à merenda escolar num açougue da Zona Norte de São Paulo. “Por um erro de sistema, uma parte ínfima do produto destinado à merenda acabou sendo comercializada”, disse. “Ao perceber o equívoco, a companhia imediatamente procedeu à substituição do produto em todos os pontos de venda afetados. No caso do açougue em questão, o produto acabou sendo exposto, mesmo após orientação em contrário da companhia.” A BRF disse ainda que mantém estoques excedentes e assegurou que toda a quantidade contratada foi entregue à destinação correta, não tendo havido nenhum prejuízo à merenda da rede de ensino.
