PM desocupa escola no TO e leva estudantes algemados para delegacia
Um grupo de alunos que estava ocupando o Centro de Ensino Médio Dona Filomena Moreira de Paula, em Miracema do Tocantins, a 78 quilômetros de Palmas, foi retirado da unidade pela Polícia Militar na manhã desta quinta-feira (27). Cerca de 20 alunos da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e da escola ocuparam o local na quarta-feira (26) como forma de manifestação por serem contrários a PEC 241 e a Medida Provisória do Ensino Médio, a MP 746.
A PM confirmou que os militares foram chamados pelo promotor de Justiça do Ministério Público Estadual (MPE) para desocupar o local. A Polícia Civil também confirmou que um grupo de alunos foi levado em uma van da PM para a delegacia, onde estão sendo ouvidos pelo delegado.
Ao todo, 23 alunos foram levados para a delegacia. Até às 13h27, oito adolescentes já tinham sido liberados.
Durante a desocupação, alguns manifestantes foram algemados pelos militares. A informação foi confirmada pelo G1 com os próprios estudantes, que estão na delegacia.
“O promotor da cidade chegou sem nenhum mandado e fez a desocupação. Nós tínhamos autorização da diretora (para ficar no local). Eles me algemaram com um menor de 15 anos e tomaram meu celular, mas depois me devolveram”, contou a manifestante Amanda Kharollyna, que é acadêmica da UFT.
A PM foi questionada sobre o fato de ter algemado os manifestantes, mas não respondeu até a publicação desta reportagem.
A Secretaria de Educação disse que tomou conhecimento da ocupação das dependências do Centro de Ensino Médio Dona Filomena. “Com acompanhamento da Diretoria Regional de Educação (DRE), o fato foi comunicado às autoridades responsáveis no município. A 3ª Promotoria de Justiça da Infância e Juventude, por meio de seu titular, promotor Vilmar Ferreira de Oliveira, determinou a desocupação da escola.”
O Ministério Público afirmou que o promotor de Justiça decidiu iniciar o processo de desocupação após a diretora da unidade escolar ter procurado o MPE nesta quinta-feira (27), para informar que recebeu ameaça de morte de pessoas que estariam aliciando estudantes para fazerem parte da ocupação.
Além disso, conforme o promotor, pessoas identificadas com coletes da CUT e servidores da Universidade Federal do Tocantins adentraram na unidade escolar e comandaram todo o processo de ocupação. “O Promotor de Justiça também obteve informações de que os manifestantes mantiveram servidores do Colégio Estadual Dona Filomena em situação de cárcere privado”, disse o MPE.

Ainda segundo o Ministério Público, tanto a Polícia Militar quanto o representante do MPE tentaram o diálogo para que os estudantes desocupassem o imóvel. Diante da recusa, o promotor de Justiça determinou que a PM iniciasse a desocupação de forma ordenada e sem qualquer tipo de violência.
“Diante da resistência de alguns estudantes em desocupar o imóvel e com o objetivo de resguardar a integridade física dos próprios alunos, o promotor ordenou que a autoridade policial contivesse com o uso de algemas dois estudantes que se recusavam a deixar o Colégio.”
(G1 TO/Foto: Divulgação)
