Como está a felicidade dos Portugueses
Com o aparecimento da psicologia positiva, novas áreas de investigação passaram a fazer parte da ciência psicológica, nomeadamente o estudo da felicidade. Sabemos, que a busca da felicidade é um dos principais objetivos da humanidade, tanto num nível individual como na população em geral. A Felicidade, enquanto constructo empírico é compreendida como uma multiplicidade de significados e a sua definição pode assumir diversas formas, desde o modo como um indivíduo avalia a sua vida como um todo, passando pelo foco nos aspetos mais significativos, nomeadamente a felicidade que se alcança pelo cumprimento de objetivos, desejos e necessidades ou ainda a felicidade obtida pelo equilíbrio entre os afetos positivos e negativos.
O contributo da presente investigação situou-se numa análise sobre a perceção de felicidade, segundo as três perspetivas da felicidade ou modelos de Felicidade: Satisfação com a vida, Hedónicas e Eudaimónica, ou seja, como as pessoas percebem a felicidade nas diferentes fases do seu ciclo de vida.

A Felicidade na perspetiva “Satisfação com a vida ou Bem-Estar Subjetivo”, é composta por um número de diferentes e separáveis componentes como a satisfação com o trabalho, a família ou os tempos livres. A Felicidade no ponto de vista hedónico corresponde à maximização dos momentos agradáveis e a procura da experiência de prazer e ao evitamento do sofrimento e do mal-estar. No que se refere à Felicidade Eudaimonica, esta coloca o enfase no crescimento pessoal e no significado da vida. Inclui conceitos como finalidade, autonomia, competência, realização pessoal, aceitação, autenticidade, congruência e ligações sociais.
Relativamente à evolução da felicidade e do bem-estar ao longo do ciclo de vida, algumas investigações realizadas relataram, que a Felicidade pode ser representada graficamente através de uma curva em forma de U, com níveis mais elevados de felicidade e bem-estar nos jovens e nos idosos e apresenta níveis mínimos de Felicidade na meia idade. O estudo foi baseado em estudos anteriores, para verificar se realmente a Felicidade sentida pelos Portugueses se representava graficamente em forma de U, sendo mais alta nos jovens e idosos e apresentado níveis mais baixos na meia idade e, ainda, se se diferenciava entre mulheres e homens.
Foram estudados 806 participantes de nacionalidade portuguesa, com idades compreendidas entre os 18 e os 93 anos de idade, 430 eram do sexo feminino e 376 sexo masculino.
Relativamente aos resultados, em relação à primeira questão colocada, que afirmava que a distribuição dos níveis de Felicidade ao longo da vida na população portuguesa seguia uma curva em forma de “U” foi parcialmente confirmada, uma vez que, no que respeita aos modelos considerados (satisfação com a vida, perspetivas eudaimónica e hedónica) o grupo dos participantes com 65 ou mais anos obteve valores significativamente superiores em relação aos restantes grupos.
A segunda questão, que afirmava que os índices de felicidade seriam superiores nas mulheres comparativamente aos homens, foi confirmada para as perspetivas eudaimónica e hedónica, o que está de acordo com estudos anteriores onde o sexo feminino apresentou índices mais elevados de felicidade do que o masculino. No que refere à satisfação com a vida, os resultados apresentados demonstraram que não há diferenças estatisticamente significativa entre sexos.
Com os resultados obtidos, foi possível verificar que a felicidade ao longo da vida dos participantes, segue em alguns aspetos a curva em forma de “U”, demonstraram igualmente que existiam maiores índices de felicidade nos participantes mais velhos, indo de encontro com resultados de estudos anteriores, onde é referido que as pessoas, no seu processo natural de envelhecimento, se vão tornando mais felizes, uma vez que vivenciam um afeto negativo menor e vão experienciando maiores níveis de afeto positivo.
Embora seja convicção da investigadora, que um conjunto muito particular de situações ligadas ao momento em que o País atravessava poderá ter sido determinante, no entanto, alguns estudos apresentados, salientaram a importância de fatores culturais específicos que influenciam o modo como as culturas experienciam e compreendem a felicidade.
Um outro aspeto que se revelou importante está relacionado com as mudanças sociais, particularmente com a introdução de novas expetativas e modelos de vida, a nível familiar, social e profissional. Estas mudanças poderão ter reflexos diretos no nível de felicidade dos indivíduos, com resultados pouco eficazes a nível da felicidade sentida pelos indivíduos, particularmente nos indivíduos mais novos. Fica em aberto a questão – se com o envelhecimento estes seguirão a tendência até agora demonstrada de aumento dos níveis de felicidade, ou se a alteração de condições de vida e de modelos a que atualmente se assiste poderá ser determinante no seu futuro, impedindo-os de ascenderem a níveis superiores de bem-estar e felicidade. Mas essa é uma questão que fica em aberto, para estudos futuros, e que só daqui a alguns anos poderá ser respondida.
Lucileide Vieira Santos, Natural de Paraíso do Tocantins, Doutoranda em Ciências da Educação, Investigadora no Centro de Estudos Interdisciplinares em Educação e Desenvolvimento – CeiED – Lisboa Portugal e Diretora de Serviços da ACECOA – Associação Comercial e Empresarial dos Concelhos de Oeiras e Amadora, desenvolveu um estudo com o intuito de avaliar a Felicidade ao longo da vida da População Portuguesa, nomeadamente, ao Bem-Estar e a Felicidade da População Portuguesa.

