Super El Niño 2026: veja como o fenômeno mais forte em 150 anos deve atingir cada região do Brasil
O Brasil poderá enfrentar um dos eventos climáticos mais intensos da história recente. Pesquisadores alertam para a possibilidade de um Super El Niño em 2026, fenômeno que, se confirmado, poderá ser o mais forte dos últimos 150 anos e aumentar o risco de tempestades, secas extremas, ondas de calor e erosão costeira em diversas regiões do país.
Segundo estudos de cientistas ligados ao Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), o país deve iniciar medidas de preparação antes mesmo da confirmação oficial do fenômeno. Modelos climáticos apontam uma probabilidade elevada de que o evento supere todos os registros conhecidos.

O que é o Super El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração interfere na circulação da atmosfera e modifica os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo.
De acordo com simulações analisadas por pesquisadores da Berkeley Earth e divulgadas pela revista científica New Scientist, existe cerca de 90% de probabilidade de que o evento previsto para 2026 seja o mais intenso já registrado.
Os modelos indicam que a temperatura da superfície do mar no Pacífico tropical poderá atingir 3,6°C acima da média, superando o recorde de 2,75°C observado durante o forte El Niño de 2015/2016.
Como o fenômeno pode afetar o Brasil
Os impactos variam conforme a região do país.
Região Sul
O Sul costuma registrar aumento significativo das chuvas durante episódios de El Niño, elevando o risco de:
– enchentes;
– alagamentos;
– deslizamentos de terra;
– cheias de rios.
Sudeste
No Sudeste, a tendência também é de chuvas acima da média, principalmente em áreas urbanas e regiões de encosta, aumentando a possibilidade de inundações e deslizamentos.
Norte e Amazônia
Na Região Norte, especialmente na Amazônia, os efeitos costumam ser opostos. Entre os principais impactos esperados estão:
– redução das chuvas;
– secas severas;
– queda no nível dos rios;
– dificuldades no transporte fluvial;
– problemas no abastecimento de água;
– isolamento de comunidades ribeirinhas.
Pesquisadores também alertam para o avanço do mar em áreas costeiras de baixa altitude.
Nordeste
O Nordeste poderá enfrentar temperaturas mais elevadas e períodos prolongados de estiagem, agravando problemas relacionados ao abastecimento de água.
Centro-Oeste
Já o Centro-Oeste poderá registrar aumento das temperaturas, alterações no regime de chuvas e impactos sobre a agricultura devido ao maior risco de estiagens.

Litoral brasileiro preocupa especialistas
Além das mudanças no regime de chuvas, especialistas chamam atenção para a vulnerabilidade do litoral brasileiro.
Segundo Marcus Polette, professor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e integrante da rede INPO, o aquecimento global potencializa os efeitos do fenômeno.
“O Super El Niño não representa apenas uma mudança na temperatura do Oceano Pacífico. Em um planeta já aquecido, ele amplia a frequência, a intensidade e a duração de ondas de calor, secas e chuvas extremas.”
Outro fator de preocupação é a perda das barreiras naturais de proteção, como dunas, restingas e manguezais, que reduzem os impactos das ressacas e do avanço do mar.
Probabilidade é considerada alta
O alerta também é reforçado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM).
Segundo a entidade, existe cerca de 80% de probabilidade de desenvolvimento do Super El Niño entre julho e agosto de 2026 e mais de 90% de chance de que o fenômeno permaneça ativo até novembro.
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) também destaca que os eventos climáticos extremos registrados nos últimos anos demonstram a necessidade de preparação antecipada.
Como reduzir os impactos
Especialistas defendem que estados e municípios iniciem ações preventivas antes da chegada do fenômeno.
Entre as principais medidas recomendadas estão:
– fortalecimento dos sistemas de monitoramento meteorológico;
– atualização dos planos da Defesa Civil;
– mapeamento das áreas de risco;
– investimentos em drenagem urbana;
– recuperação de manguezais, restingas e matas ciliares;
– ampliação do monitoramento do nível do mar e das ondas.
Na Amazônia, os pesquisadores também sugerem ampliar o uso de cisternas para armazenamento de água da chuva, reduzindo os efeitos das estiagens prolongadas.
Para os especialistas, a integração entre ciência, planejamento urbano e políticas públicas será essencial para reduzir os impactos de eventos climáticos extremos, que tendem a se tornar cada vez mais frequentes nos próximos anos.
