Juros altos mantêm crédito pressionado no Brasil, aponta estudo

A manutenção da taxa Selic em patamar elevado deve manter o crédito caro no Brasil. Especialistas orientam consumidores e empresas a reforçarem o planejamento financeiro no segundo semestre.
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O cenário de juros altos no Brasil continua preocupando consumidores e empresas. O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, manteve a projeção da taxa Selic em 14% ao ano para o fim de 2026. Ao mesmo tempo, a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu de 5,33% para 5,30%, mas permanece acima do centro da meta de inflação.
Com isso, especialistas avaliam que o crédito continuará caro nos próximos meses. Além disso, o ambiente de juros elevados deve manter a pressão sobre o orçamento das famílias e aumentar os desafios para quem depende de financiamentos.
Estudo aponta pior cenário de crédito da América Latina
Um estudo do UBS BB indica que o Brasil enfrenta atualmente a pior dinâmica de crédito da América Latina. Segundo a análise, a combinação entre juros elevados, maior rigor na concessão de empréstimos e dificuldades na capacidade de pagamento de consumidores e empresas explica esse cenário.
Além disso, a inflação continua reduzindo o poder de compra da população. Dessa forma, muitas famílias recorrem ao crédito para equilibrar as contas, o que pode ampliar o endividamento.
“Esse retrato é preocupante porque mostra que o Brasil chega a esse novo ciclo com o crédito já em situação frágil. Ou seja, o encarecimento do crédito não está incidindo sobre uma economia equilibrada, mas sobre um sistema que já opera no limite”, afirma Rodrigo Mandaliti, presidente do IGEOC.
Especialista recomenda organização financeira
Para Rodrigo Mandaliti, o principal risco está na utilização frequente do crédito para compensar a perda de renda causada pela inflação.
“Quando os preços sobem e o crédito fica mais caro, muitas famílias recorrem ao cartão de crédito ou a outras linhas de financiamento para equilibrar as contas do mês. O problema é que, frequentemente, uma dificuldade momentânea acaba se transformando em um compromisso financeiro ainda maior no futuro.”
Por isso, o especialista recomenda revisar o orçamento, priorizar a quitação das dívidas com juros mais altos e evitar o uso constante de linhas de crédito emergenciais.
Empresas também enfrentam desafios

O cenário também afeta pequenas e médias empresas que dependem de capital de giro ou financiamento para investir. Nesse contexto, o custo mais elevado dos empréstimos exige planejamento financeiro ainda mais rigoroso.
Segundo Mandaliti, empresários devem avaliar diferentes cenários antes de contratar financiamentos.
“Empresas que planejam expansão ou renovação de dívidas precisam simular diferentes cenários de taxa antes de fechar operações, já que um ciclo de juros elevados por mais tempo altera significativamente a equação de custo e retorno de qualquer investimento financiado.”
Momento exige cautela
Diante das projeções para os próximos meses, especialistas defendem decisões financeiras mais planejadas. Assim, consumidores com dívidas podem buscar renegociação antes que os custos aumentem. Da mesma forma, quem pretende contratar financiamentos deve analisar se vale a pena esperar condições mais favoráveis.
Para o presidente do IGEOC, adiar esse planejamento pode comprometer ainda mais o orçamento de famílias e empresas.
Sobre o IGEOC
O Instituto GEOC (IGEOC) atua há 18 anos no mercado brasileiro e reúne 34 empresas associadas. A entidade representa companhias dos setores de cartões de crédito, consórcios, educação, produtos bancários, veículos, utilities, varejo e recuperação de crédito, com atuação em todo o país.
