Como lateral brasileiro foi drogado por seleção argentina na Copa de 1990

A eliminação do Brasil para a Argentina nas oitavas de final da Copa do Mundo de 1990 entrou para a história por dois motivos.
![]()
Além da derrota por 1 a 0, o confronto ficou marcado por uma das maiores polêmicas já registradas em um Mundial.
Anos depois, Diego Maradona revelou que integrantes da seleção argentina colocaram uma substância tranquilizante em uma garrafa de água consumida pelo lateral Branco durante a partida.
Brasil dominou o jogo, mas acabou eliminado

O Brasil realizou uma de suas melhores atuações na Copa disputada na Itália. A equipe acertou a trave três vezes, controlou a posse de bola durante boa parte do confronto e criou diversas oportunidades.
Mesmo assim, a Argentina aproveitou um momento decisivo. Aos 35 minutos do segundo tempo, Maradona encontrou Claudio Caniggia livre. Em seguida, o atacante driblou Taffarel e marcou o único gol da partida.
Como aconteceu a “água batizada”

Segundo Branco, tudo começou ainda no primeiro tempo. Durante uma paralisação, ele pediu água ao massagista da Argentina e recebeu uma garrafa verde.
Logo depois, o lateral passou a sentir tontura, sonolência e dificuldade para permanecer em campo. Ainda assim, conseguiu retornar para disputar a etapa final.
Além disso, Branco contou que percebeu algo estranho quando um jogador argentino tentou beber da mesma garrafa. No entanto, o massagista impediu o atleta e entregou outro recipiente.
Maradona admitiu o episódio

Em 2004, Diego Maradona participou de um programa da televisão argentina e confirmou o caso.
Na entrevista, ele afirmou que alguém colocou Rohypnol na garrafa destinada ao brasileiro. Segundo o ex-camisa 10, o objetivo era provocar sonolência em Branco.
Além disso, Maradona contou que sabia da situação durante a partida e chegou a evitar que um companheiro bebesse da mesma garrafa.
Bilardo reforçou a polêmica

Pouco depois, o então técnico da Argentina, Carlos Bilardo, também comentou o episódio.
Questionado pela imprensa, ele afirmou que “não podia dizer que não aconteceu”. Dessa forma, a declaração fortaleceu ainda mais as suspeitas sobre o caso.
Naquele período, Bilardo já carregava fama de utilizar métodos considerados antidesportivos para obter vantagem.
Branco voltou a denunciar o caso
Após as declarações dos argentinos, Branco reafirmou que sempre falou a verdade.
Além disso, ele lembrou que poderia sofrer uma suspensão caso fosse escolhido para um exame antidoping, já que desconhecia a substância presente na bebida.
Por isso, o ex-lateral classificou o episódio como uma atitude desleal e incompatível com uma Copa do Mundo.
Fifa nunca puniu os envolvidos
Mesmo após as declarações de Maradona e Bilardo, a Fifa não abriu um processo disciplinar nem aplicou punições.
Na época, a CBF manifestou indignação e estudou reunir documentos para solicitar uma investigação. Entretanto, nenhuma medida prática avançou.
Assim, mais de três décadas depois, a “água batizada” continua entre os episódios mais controversos da história das Copas do Mundo.
