Jornada de trabalho em debate: PEC do fim da escala 6×1 vira disputa na Câmara
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 ainda enfrenta entraves políticos antes de avançar na Câmara dos Deputados do Brasil. Neste momento, o principal impasse gira em torno da escolha do relator na comissão especial que analisará o texto.
Segundo apuração da analista de política Larissa Rodrigues, parlamentares pressionam o presidente Luiz Inácio para que o indicado não seja do Partido dos Trabalhadores (PT). Diante disso, o governo já sinaliza que pode ceder para destravar a tramitação.
Por outro lado, o presidente da Câmara, Hugo Motta, também deixou clara sua preferência. Ele defende que a relatoria fique com um nome de centro, evitando maior polarização em torno da proposta.
Nome perde força nos bastidores
Apesar da busca por consenso, o nome do deputado Paulo Azi ganhou resistência. Inicialmente, ele era visto como favorito após relatar a proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). No entanto, perdeu força após posicionamento contrário do Palácio do Planalto.
De acordo com interlocutores, houve até um movimento dentro da CCJ para mantê-lo na relatoria. Mesmo assim, a avaliação é que o apoio diminuiu nos últimos dias, especialmente após a sinalização negativa do governo.
Articulação entre Executivo e Legislativo
Antes da instalação da comissão especial, prevista como próximo passo da PEC, deve ocorrer uma articulação direta entre o comando da Câmara e o governo federal. Nesse sentido, é esperada uma conversa entre Hugo Motta e o presidente Lula.
O formato do encontro ainda não está definido. Porém, existe a possibilidade de uma ligação ou interlocução por meio de ministros, já que o presidente passou por procedimentos médicos recentemente e deve manter repouso.
Divergências sobre o texto
Além da disputa política, o conteúdo da proposta também gera divergências. Isso porque o deputado Paulo Azi defendeu alterações no relatório, incluindo uma transição gradual para o fim da escala 6×1.
Por essa razão, a resistência do governo ao seu nome está ligada não apenas à política, mas também ao mérito da proposta. Enquanto isso, o impasse segue adiando o avanço da PEC.
Próximos passos
A expectativa é que a definição do relator ocorra antes da instalação da comissão especial. Somente após isso, o texto poderá avançar para análise mais detalhada e votação.
Em resumo, a PEC que pode mudar a jornada de trabalho no Brasil depende, neste momento, menos do conteúdo e mais da articulação política nos bastidores — um fator decisivo para seu futuro no Congresso.
