Vinicius Jr. pode ser o maior da história? A geração do Brasil para a Copa 2026
Em 2024, Vinicius Júnior recebeu o prêmio The Best da FIFA e se tornou o primeiro brasileiro eleito o melhor jogador do mundo desde Kaká, em 2007. Eleito por técnicos, capitães de seleções, jornalistas e torcedores do mundo inteiro, o atacante do Real Madrid chegou ao patamar que o Brasil esperava há quase duas décadas. Mas a grande questão que o futebol brasileiro faz agora, às vésperas da Copa do Mundo 2026, vai além do presente: Vinicius Júnior pode entrar para o panteão dos maiores jogadores da história da seleção brasileira?
A resposta depende de uma Copa do Mundo. O Brasil não conquista o título desde 2002 — 24 anos de jejum que pesam na alma de cada torcedor que vestiu a camisa seleção brasileira nesses 24 anos de espera. Com uma geração que inclui Raphinha, Endrick, Estêvão e Rodrygo, e com Carlo Ancelotti no comando, o Brasil de 2026 tem o grupo mais talentoso desde o Penta. E Vinicius é o nome que pode mudar tudo.
Vinicius Jr. no Real Madrid – O Melhor do Mundo em Seu Clube
A trajetória de Vinicius Júnior no Real Madrid é uma das histórias de superação mais bonitas do futebol moderno. Quando chegou ao clube espanhol em julho de 2018, aos 18 anos, por €46 milhões à época a maior venda de um jogador brasileiro abaixo de 19 anos, muitos duvidavam se tanta expectativa se traduziria em qualidade real.
O crescimento foi gradual mas inexorável. Em maio de 2022, marcou o gol do título da Champions League contra o Liverpool em Paris. Em 2024, foi protagonista de mais uma conquista europeia e atingiu a marca de 100 gols pelo clube se tornando apenas o 23º jogador a alcançar esse feito pela maior instituição do futebol mundial. Foi campeão da Champions League, de La Liga, da Supercopa da Espanha e da Copa Intercontinental, sendo eleito melhor jogador do torneio na final contra o Pachuca.
A revista americana The Athletic, em seu ranking dos 100 melhores jogadores da Copa do Mundo 2026, colocou Vinicius Júnior na 7ª posição à frente de Lionel Messi (8º) e Cristiano Ronaldo (25º). Para a publicação, o brasileiro chega à sua segunda Copa vivendo um momento de afirmação plena, agora sem a sombra de Neymar no protagonismo da seleção.
O Paradoxo – Estrela no Real, Inconstante na Seleção
Existe um paradoxo que acompanha Vinicius Júnior desde que assumiu o protagonismo da seleção brasileira: o jogador que é decisivo semana a semana no maior clube do mundo ainda não conseguiu reproduzir esse mesmo nível com a camisa amarela de forma consistente. Em 46 jogos pela seleção principal, marcou apenas oito gols, uma média bem abaixo do que apresenta no Real Madrid.
O amistoso contra a França em 26 de março de 2026, no Gillette Stadium em Boston, foi um exemplo claro desse paradoxo. Usando a camisa 10 numa atuação de grande visibilidade, Vinicius ficou abaixo do esperado. Cometeu erros de decisão, perdeu dribles que normalmente fazem parte de seu repertório e desperdiçou a chance de empate no final. O Brasil perdeu por 2 a 1, com gols de Mbappé e Ekitiké para os franceses e Bremer descontando para o Brasil.
Para especialistas, o problema não é de qualidade é de confiança e contexto. No Real Madrid, Vinicius joga há anos num sistema construído em torno de suas características. Na seleção, foram quatro técnicos diferentes entre 2022 e 2025 – Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e Carlo Ancelotti. Nenhum ciclo durou o suficiente para construir a estabilidade que o atacante precisa.
Ancelotti – O Técnico que Pode Libertar Vinicius na Seleção
A chegada de Carlo Ancelotti à seleção brasileira foi recebida com otimismo quase unânime por uma razão muito específica: é o mesmo técnico que transformou Vinicius Júnior num dos melhores jogadores do mundo no Real Madrid. A parceria tem histórico concreto de resultados. O próprio Vinicius foi direto ao reconhecer o impacto do treinador: Estamos jogando melhor desde que ele chegou, estamos mais felizes, mais tranquilos.
Ancelotti, com sua filosofia de liberdade criativa e posicionamento flexível, é exatamente o tipo de técnico que potencializa jogadores como Vinicius. Não prende atacantes a funções fixas deixa que a qualidade individual flua dentro de uma estrutura coletiva organizada. Se em Madri esse sistema fez de Vini um dos melhores do mundo, a expectativa é que o mesmo aconteça na Copa do Mundo 2026.
A Geração de 2026 – O Brasil Mais Talentoso Desde o Penta
Além de Vinicius, o Brasil de 2026 conta com uma constelação de talentos que não se via desde o time que conquistou o pentacampeonato em 2002. Oito brasileiros aparecem entre os 100 melhores jogadores da Copa 2026 segundo o The Athletic:
- Raphinha (14º) — O ponta do Barcelona está no melhor momento da carreira. Segunda opção ofensiva mais perigosa do Brasil.
- Gabriel Magalhães (23º) — Defensor sólido do Arsenal, referência na zaga da seleção.
- Alisson (42º) — Um dos melhores goleiros do mundo. A segurança que toda seleção grande precisa.
- Marquinhos (59º) — Experiente, líder defensivo e confiável em grandes ocasiões.
- Estêvão (92º) — Apenas 18 anos e já no Chelsea. A revelação mais empolgante do futebol brasileiro em anos.
- Rodrygo (93º) — Parceiro de Vinicius no Real Madrid. Inteligência técnica e capacidade de decidir nos momentos cruciais.
- Endrick (não ranqueado) — Aos 18 anos, já titular do Real Madrid. Carrega a herança do próximo grande 9 brasileiro.
É uma geração completa: qualidade no gol, na defesa, no meio e no ataque. O Brasil de 2026 não depende de um único jogador para vencer, e isso é exatamente o que diferencia essa seleção das últimas.
Vinicius Jr. Pode Ser o Maior da História da Seleção?
Para entrar no panteão dos maiores ao lado de Pelé, Garrincha, Ronaldo Fenômeno, Romário, Zico e Ronaldinho Gaúcho, Vinicius Júnior precisa de um ingrediente que ainda lhe falta: um título pela Canarinho.
Neymar, o maior artilheiro da história da seleção com 79 gols, nunca foi campeão do mundo e essa lacuna define seu legado até hoje. Ronaldinho Gaúcho foi o melhor do mundo por dois anos seguidos mas também nunca levantou a taça. A história do futebol brasileiro é clara: o legado definitivo se constrói com título mundial.
Vinicius Júnior tem 25 anos, está no auge da carreira e vai disputar sua segunda Copa do Mundo como o maior protagonista do time. Tem ao lado um técnico que conhece cada detalhe do seu jogo. Tem ao redor dele uma geração de craques como o Brasil não via há décadas. O Brasil estreia na Copa no dia 13 de junho contra Marrocos, no MetLife Stadium em Nova Jersey, pelo Grupo C. Se existe um momento para que Vinicius escreva seu nome entre os maiores da história da seleção brasileira, esse momento é agora.
