ONU alerta para aumento do nível de ameaça do Estado Islâmico no mundo
A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou que o nível de ameaça representado pelo grupo Estado Islâmico aumentou em escala global desde meados de 2025 e se tornou mais complexo, à medida que a organização extremista adapta suas estratégias para garantir a própria sobrevivência.
Em briefing ao Conselho de Segurança, representantes do Escritório da ONU para o Combate ao Terrorismo afirmaram que o Estado Islâmico e facções associadas vêm ampliando sua atuação na África Ocidental e na região do Sahel, ao mesmo tempo em que mantêm ataques frequentes no Iraque e na Síria. No Afeganistão, o braço Estado Islâmico-Khorasan continua sendo considerado uma das ameaças mais graves à estabilidade regional.
Segundo a ONU, ações recentes demonstram a capacidade do grupo de inspirar e coordenar violência em diferentes continentes. Um ataque a tiros contra uma festa judaica em uma praia da Austrália, que deixou 15 mortos em dezembro, foi apontado como inspirado diretamente pela ideologia do Estado Islâmico. No fim de janeiro, o grupo também reivindicou um atentado no principal aeroporto do Níger, reforçando sinais de fortalecimento no Sahel.

Outro ataque citado ocorreu em Cabul, onde um restaurante chinês foi alvo de ação terrorista que resultou na morte de sete pessoas. Na Síria, a retirada de forças curdas de áreas onde eram mantidas prisões com milhares de jihadistas e campos que abrigavam familiares de combatentes tem gerado instabilidade e ampliado riscos de reorganização do grupo.
A ONU destacou ainda uma mudança relevante no modus operandi das organizações terroristas. De acordo com a Direção Executiva do Comitê contra o Terrorismo, o Estado Islâmico tem ampliado o uso de ativos virtuais, como criptomoedas, além de ferramentas cibernéticas, drones e aplicações avançadas de inteligência artificial.
A inteligência artificial, segundo o relatório, passou a ser utilizada sobretudo para radicalização e recrutamento, com foco em jovens e crianças, o que aumenta a complexidade do enfrentamento ao extremismo violento. Para a ONU, o cenário exige maior cooperação internacional e atualização constante das estratégias de combate ao terrorismo, diante de ameaças cada vez mais descentralizadas e tecnologicamente sofisticadas.
